Dilma admite que teve 'política defensiva' em relação à crise

Em sabatina do jornal O Globo, presidente indica que pode mudar condução da economia em eventual segundo mandato e volta a criticar autonomia do Banco Central

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 11h48

São Paulo - A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), afirmou na manhã desta sexta-feira, 12, que teve uma política defensiva economicamente em relação a crise mundial e voltou a criticar a proposta de independência do Banco Central, defendida por Marina Silva.  

Questionada se mudaria sua condução da economia ou faria tudo igual em um eventual segundo mandato, Dilma afirmou que esse "tipo de colocação é estagnada". "A gente muda com a realidade. Assumo que tive uma política defensiva em relação a crise", afirmou, durante sabatina promovida pelo jornal O Globo. 

A fala da presidente ocorre em meio ao discurso de sua campanha de que ela enfrentou a crise econômica com criação de empregos como forma de mostrar sua capacidade de gerir a economia e indicando que ela está "do lado do povo".

Na entrevista a presidente também voltou a criticar algumas politicas de austeridade, que levaram o mundo a ter a geração "nem-nem", que não tem estudo e nem trabalho. Segundo ela, o Brasil soube segurar o emprego. Dilma destacou ainda que no G-20 há 100 milhões de desempregados. "Eles calculam que até 2030 serão 600 milhões de desempregados. Estamos enfrentando uma crise que não é só nossa."

Questionada como lidará com o baixo crescimento do País, Dilma afirmou que no passado quando havia crise o que se fazia era cortar salários e diminuir o ritmo de investimentos. "É impossível um país enfrentar a crise com esse 'modelito'", afirmou, destacando que um país não tem futuro se parar de investir. Ao ser confrontada com o ritmo em queda de investimento, Dilma disse: "imagina se a gente não tivesse se esforçado". 

Banco Central. Questionada sobre a proposta de independência do Banco Central de Marina Silva (PSB) que vem sendo alvo de ataques da campanha petista, a presidente afirmou que isso poderia representar um "quarto poder". "O quarto poder, que é o poder da independência do BC, é algo extremamente questionável. Uma coisa é autonomia operacional a outra é independência", disse. 

Indagada sobre a sua opinião em 2010, quando em algumas matérias defendeu a independência do BC, Dilma afirmou que "é disso que eu estou falando". "Eu defendo a autonomia operacional. Independência do Banco Central, não", disse, ressaltando que a instituição monetária não é um poder. Segundo Dilma, independência é o que está sendo proposto agora por Marina e autonomia operacional é o que já existe na prática e não precisa ser colocado em lei. 

Segurança. Ao comentar a situação da segurança no País, a presidente admitiu que o cenário piorou e voltou a defender o maior poder à União para combater a criminalidade."A situação do Brasil sobre a segurança pública piorou, sim. O crime organizado atua de forma organizada. União atua de forma fragmentada", disse.

 Ela voltou a citar o modelo adotado durante a Copa do Mundo de Centros de Comandos de Controle. "A União tem que se tornar responsável pela segurança pública, porque hoje é dos estados. Não pode ser assim. Tem de mudar a Constituição. Não podíamos deixar na Copa uma quebra da segurança pública, então o que fizemos? Centro de Comando de Controle. Cada um cuidava da sua própria hierarquia. Conseguimos um trabalho eficaz", disse. 

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesDilma Rousseffeconomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.