Dilma admite conflitos, mas jura que 'não existe crise'

Para a presidente Dilma Rousseff, "não existe crise (na base de apoio do governo). Segundo ela, "os conflitos, que sempre existirão, têm a ver com os processos pelos quais exercemos o nosso presidencialismo". Dilma comentou o caso em entrevista ao blog do jornalista Luís Nassif. Divulgada ontem, a conversa - que, segundo o jornalista, durou 90 minutos - versou a maior parte do tempo sobre temas econômicos mas abordou, em seu final, "o fantasma das falsas crises políticas".

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h04

Citada sem aspas, mas sempre na primeira pessoa, Dilma afirmou a Nassif que o atual modelo de presidencialismo "tem de ser de coalizão, mas não deixa de ser presidencialismo". Ao lado da coalizão, advertiu, "há a questão do interesse de todos".

Para ela, "é normal que se reivindique e se debata, é intrínseco a esse processo". Os partidos "não podem arcar com o ônus de inviabilizar acordos: são parte do acordo". Assim, "quando votam contra o governo, são pontos muito específicos".

Não se trata, portanto - prosseguiu a presidente - de "desvio, conduta inadequada: que eles façam assim é da regra do jogo, que façamos de outro modo é da regra do jogo".

No balanço geral, ela entende que o País alcançou "grande maturidade nas relações Executivo-Legislativo e Executivo-Judiciário. Podemos nos vangloriar de ter certa estabilidade". A variedade de opiniões dentro da sociedade brasileira não permitirá, segundo ela, "uma relação Executivo-Congresso do tipo democrata-republicano (dos EUA)".

A propósito, Dilma advertiu que "ninguém aqui pode, durante muito tempo, só defender seus interesses específicos sem que haja reação da parte da sociedade". E completou: "Ai do presidente que não falar em nome de todos os brasileiros e brasileiras."

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