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Dilma acredita que haverá plebiscito ou referendo para construção de reforma política

Em entrevista à Rede Bandeirantes de Televisão, presidente reeleita também falou sobre conselhos populares, crescimento econômico e diálogo

Daniel Galvão e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 20h32

São Paulo - A presidente reeleita, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira, 28, em entrevista ao Jornal da Band, da Rede Bandeirantes de Televisão, que acha "muito difícil" não haver consulta popular sobre a reforma política, seja por meio de plebiscito ou de referendo. Dilma afirmou que, nesta eleição, viu uma "ânsia imensa" pela reforma. Segundo ela, com base em assinaturas encaminhadas ao Congresso, o projeto de mudança das regras entra na pauta.

"Os congressistas defendem a consulta popular para a reforma política", disse. De acordo com definição Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta, e o referendo é chamado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta. Conforme a presidente reeleita, deve-se discutir "como encarar reformas fundamentais, como a política e a tributária". 


Dilma declarou que viu um movimento "muito forte" em vários segmentos pela reforma política, mas que "nem todos pensam igual". "Mas todos estão irmanados na questão da reforma política e me apresentaram entre 7 milhões e 8 milhões de assinaturas; eles me deram só a cópia e vão encaminhar para o Congresso", explicou. "A partir daí, é possível uma legislação de iniciativa popular que coloque na pauta esta questão." A presidente reeleita afirmou acreditar ser muito difícil que o debate sobre a questão não seja uma "discussão interativa". Na análise de Dilma, o Congresso "vai partilhar esse processo com a população, com setores organizados".

Conselhos populares. A outra pergunta do jornalista Ricardo Boechat, a presidente disse que a negociação em torno do projeto dos conselhos populares não é "um toma lá da cá, não pode ser assim". Na avaliação de Dilma, os entendimentos sobre o tema têm de ser "uma negociação sobre as questões importantes para o futuro do País". 

A petista afirmou ainda achar que pode "perder ou ganhar" em votações no Legislativo, mas que se deve encarar as reformas fundamentais, como política e tributária. "São as grandes questões que vão mobilizar o País para garantir que o Brasil seja, de fato, um país que encontre crescimento e prosperidade para a população".

Crescimento. Dilma reafirmou que vai trabalhar para que o País volte a crescer e que deve fazer anúncios de mudanças em sua equipe ainda este ano. Ela rechaçou a possibilidade de o Brasil ter seu rating rebaixado este ano e garantiu que o País continua atrativo aos investidores externos. "O Brasil tem fundamentos fortes e estrangeiros mantêm investimento direto expressivo", afirmou, destacando que o País recebe US$ 65 bilhões de investimento estrangeiro. 

Para a presidente, não há sinalização de que vai haver rebaixamento "no futuro imediato" e nem há razões para isso. "Pelo menos que eu saiba todas (as agências de risco) descartam isso em 2014 e colocam isso para depois de 2015", afirmou, ressaltando que o País tem todas as condições de se recuperar economicamente. 

Dilma disse ainda que, em comparação com outros países, até mesmo os europeus, o Brasil tem um setor financeiro sólido. "Hoje na Europa há toda uma desconfiança da robustez dos bancos", afirmou. Ela reconheceu, no entanto, que o Brasil está passando por uma "situação difícil", mas que tem todos as condições de sair dela. Para isso, segunda ela, será preciso uma união. "Se todos nós nos dermos as mãos vamos conseguir alcançar o objetivo de retomada de crescimento."

Questionada se concordava com a avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a sua reeleição foi uma aprovação à condução da sua política econômica, Dilma disse acreditar que o que a favoreceu foi o fato de o governo não ter atribuído a "conta da crise" internacional ao povo brasileiro, "como sempre foi atribuído". Destacando a baixa taxa de desemprego - de 4,9% - e o aumento de renda, a presidente disse que sua conduta foi a de não penalizar a população. "Nesse sentido acho que houve uma grande aprovação", explicou. 

A presidente destacou ainda que o País tem proteção, não sofre mais como sofria há uma década e possui uma situação equilibrada. "Temos reservas e elas nos protegem", disse. Ela defendeu também sua política de contenção inflacionária e reafirmou que manterá os preços sob controle. Ela minimizou as reações do mercado financeiro após sua reeleição e disse que "o mercado é assim, ele flutua". "Tenho certeza que vamos nos adaptar a essa situação pós-eleitoral". 

Diálogo. Dilma voltou a dizer que está disposta a convidar todos os setores e a oposição para o diálogo."Eleição implica em divisão, mas por trás disso há conjunto de posições para melhorar. É imprescindível o diálogo, que tem que abranger todos os setores, incluindo oposição", afirmou. 

A presidente disse que vai escutar todos os setores, o produtivo, o financeiro e representantes da sociedade. Apesar de ser eleita por uma margem apertada de votos, Dilma afirmou que será a representante não de "uma parte dos brasileiros, mas sim de todos os brasileiros". 

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