'Diferenças são só eleitorais', diz Dilma

A dez meses da eleição e ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) no Bandeirantes, presidente enaltece boa 'parceria'

BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, ANNE WARTH / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2012 | 03h08

A menos de dez meses das eleições municipais, os três principais protagonistas da disputa eleitoral até agora dividiram ontem um palanque em clima de parceria e descontração. A presidente Dilma Rousseff, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) participaram do lançamento de uma nova etapa do programa Minha Casa, Minha Vida em São Paulo.

Após a assinatura de um contrato de investimentos de R$ 8,4 bilhões para a construção de moradias populares no Estado, Dilma elogiou a participação do governo paulista na empreitada e descartou a existência de atritos com o tucano.

"Podemos ter nossas divergências eleitorais, mas, terminadas as eleições, essas divergências deixam de existir", afirmou a presidente. "O que mostra a maturidade do Brasil é essa relação que nós conseguimos estabelecer, independentemente de origem partidária, credo político e religioso ou opção futebolística."

Na cerimônia realizada ontem no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Dilma destacou que pretende manter o processo de aproximação com políticos de outros partidos, ressaltando que "é impossível um governante achar que governa sem o governo estadual e os prefeitos". A presidente também fez referência a Kassab, com quem afirmou ter "uma parceria muito produtiva e excepcional".

"Não se pode ter, dentro de políticas governamentais, uma relação de atrito com Estados e municípios. Essa é a grande característica do decoro governamental", destacou a presidente. Nos últimos dias, Kassab tem afirmado que pode até se aliar ao PT nas eleições deste ano na capital paulista. Em outras cidades do Estado, essa aliança já existe.

O discurso objetivo de Dilma - abandonando a disputa partidária em nome de resultados concretos - a aproxima cada vez mais de Alckmin. No ano passado, primeiro ano de mandato de ambos, a presidente e o governador firmaram acordos nas áreas de infraestrutura, habitação, educação e combate à pobreza. Para tucanos e petistas, Alckmin pode reduzir a polarização com o governo federal por afirmar publicamente não ter planos de disputar a Presidência em 2014. Dilma, por sua vez, também não enxerga o governador paulista como potencial adversário.

Esta foi a terceira vez que Dilma participou de eventos em São Paulo ao lado do governador nos últimos seis meses.

Dilma fez até um agradecimento especial a Alckmin pela parceria na construção de 100 mil moradias no Estado pelo Minha Casa, Minha Vida - uma de suas principais bandeiras. "O governador vai viabilizar um processo que nós tínhamos dificuldade de fazer", afirmou Dilma, em referência ao subsídio de R$ 20 mil por casa oferecido por Alckmin nesta etapa do programa, em um total de R$ 1,9 bilhão. Sem essa quantia, o governo federal vinha encontrando barreiras para encontrar terrenos com preços que se encaixavam nos requisitos do projeto.

"A presença do governo de São Paulo é estratégica, complementando os nossos R$ 65 mil de subsídio, com R$ 20 mil", afirmou a presidente.

Em seu discurso, Alckmin se referiu a Dilma como "presidenta", termo que ela afirma preferir, e também agradeceu ao governo federal pela parceria no programa habitacional, descartando divergências políticas.

Ao turbinar a construção de casas populares pelo programa Minha Casa, Minha Vida, a presidente Dilma Rousseff afirmou que os investimentos do governo têm o objetivo de reduzir as desigualdades no Brasil e criar um "País de classe média".

"Não queremos um País de bilionários, e de pobres e miseráveis. Nós queremos obviamente um País de pessoas ricas e prósperas, mas queremos, sobretudo, um País de classe média", disse. "E ninguém é classe média se não tiver sua casa."

Ontem, Dilma confirmou a intenção do governo de ampliar, até junho, o número de moradias erguidas pelo programa - que contaria com 400 mil novas casas, além da meta original de 2 milhões. A prioridade será a população que recebe até três salários mínimos, com renda mensal de até R$ 1,6 mil.

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