Dias teve apoio de Mercadante para ministério

O presidente do PDT, ex-ministro Carlos Lupi, deixou o cargo em dezembro de 2011, no rastro de denúncias de corrupção no Ministério do Trabalho que envolviam cobrança de propina para registros sindicais.

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2013 | 02h13

O ministério permaneceu nas mãos do PDT, mas foi entregue a Brizola Neto, político com o qual a presidente Dilma Rousseff tinha proximidade. O grupo político ligado a Lupi, no entanto, conseguiu derrubar Brizola Neto e voltou ao governo um ano e três meses após a "faxina" ética. A reabilitação de Lupi ocorreu após o PDT ameaçar dar aval à provável candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ao Palácio do Planalto em 2014.

Foi o ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT), que negociou a entrada de Manoel Dias - secretário-geral do PDT e apadrinhado por Lupi - na pasta do Trabalho. Mercadante deixou claro, nas reuniões, que o PDT não teria "porteira fechada", mas, mesmo assim, o partido se rebelou. Nos últimos dias, Lupi chegou a dizer que o apoio a Dilma, nas eleições de 2014, não estava garantido. "Ainda precisamos ver qual será o melhor caminho para a nossa sobrevivência", resumiu o presidente do PDT.

Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), contou já ter conversado com Dias sobre a situação. "Ele me parece um homem sério, mas falou que enfrenta dificuldades porque a base do PDT quer o ministério voltado para o partido. Disse que, se não for assim, terá de buscar mais espaço para o PDT em outros locais da Esplanada", descreveu. "Um ministério deveria ser republicano e representar o governo, e não estar a serviço de uma ou outra central."

Na prática, a autorização para registros de sindicatos de trabalhadores e também patronais - a cargo da secretaria nas mãos do petista Manoel Messias Melo - é encarada como uma mina de ouro. Somente depois de vencida essa etapa é que as entidades podem receber uma fatia do imposto sindical, correspondente a um dia de salário do empregado.

A briga entre grupos do PDT se acentuou no ano passado, quando o então ministro Brizola Neto suspendeu processos de registros de 600 associações de pescadores. Se a medida tivesse passado, os sindicatos seriam incorporados à Força, que, pela primeira vez, ultrapassaria a CUT em número de filiados. / V.R.

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