DEZ ANOS DE BOLSA FAMÍLIA, MAS AINDA POBRE

Situação de família do interior de São Paulo ainda é precária, apesar da ajuda do governo

JOSÉ MARIA TOMAZELA , ENVIADO ESPECIAL, CAPÃO BONITO, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h03

Inscrita há dez anos em programas de transferência de renda, a família do auxiliar de serviços gerais Lauro Antonio Moreira da Silva, de 53 anos, tem renda por pessoa superior a R$ 70 por mês. Mas ainda não conseguiu sair da pobreza. Ele e os filhos James Antonio, de 11 anos, Johnes Antonio, de 12, e Lauro Júnior, de 16, vivem em um casebre alugado no bairro Verde Vale, periferia de Capão Bonito, a 225 km de São Paulo.

Os três filhos recebem R$ 164 mensais por mês do Bolsa Família, e o mais velho obtém mais R$ 80 do programa estadual Ação Jovem. Eles passam o dia fora de casa, em escolas, onde também se alimentam. O mais velho faz curso integral em escola técnica.

Silva, que teve que lutar contra a dependência química após a morte da mulher, quase perdeu a guarda das crianças - mas se recuperou e agora trabalha numa oficina de trabalho da prefeitura, o que lhe garante mais R$ 300 mensais. A família dispõe de R$ 136 por pessoa, mas continua vivendo em condições precárias, numa casa praticamente sem móveis. Seus bens se resumem a uma geladeira velha e um televisor.

O sonho de Silva é livrar-se do aluguel de R$ 150 por mês: "Por estar cadastrado no Bolsa Família, entrei no programa Minha Casa Minha Vida e fui sorteado. Se tudo correr bem, saio do aluguel".

Capão Bonito, a cidade da família Silva, tinha indicadores sociais tão baixos na década passada que foi escolhida em 2001 para o lançamento do Programa Bolsa-Escola, do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a transferência de renda e criou o Bolsa Família. Hoje, o programa atende a 4.438 famílias na cidade de 46.178 habitantes. No total, no ano passado, a cidade recebeu R$ 37,4 milhões em transferências de recursos.

Muitas famílias, mesmo beneficiadas desde o início, continuam vivendo em condições precárias. De acordo com o encarregado do cadastro, Luis Fernando Manoel dos Santos, parte das famílias tornou-se dependente do auxílio e não consegue sair da pobreza extrema. Doenças incapacitantes, dependência química e dramas pessoais também aparecem entre os fatores que dificultam o acesso ao trabalho e a melhoria nas condições de vida, na avaliação do especialista.

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