'DEUS MATOU JOHN LENNON E MAMONAS'

Declarações de Feliciano aparecem em vídeo de 2005

LILIAN VENTURINI, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h11

Em meio a debates sobre a permanência do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, um novo vídeo causa polêmica na internet. Nele, Feliciano justifica a morte de John Lennon e dos integrantes da banda Mamonas Assassinas.

"Ninguém afronta Deus e sobrevive pra debochar!", diz o pastor sobre o ex-beatle, morto a tiros em 1980. O vídeo foi postado anteontem, mas as imagens do culto religioso ocorrido na cidade de Camboriú, em Santa Catarina, são de 2005, de acordo com a assessoria de imprensa do próprio deputado.

Na sua fala, o pastor lembra a polêmica frase de Lennon, dita na década de 1960, segundo a qual a banda era mais famosa que Jesus Cristo. "Passou algum tempo depois dessa declaração, está ele dentro do apartamento, quando abre a porta e escuta alguém chamar pelo nome. Ele vira e é alvejado com 3 tiros no peito", afirma Feliciano durante o culto na cidade catarinense.

A declaração de Lennon rendeu críticas aos músicos na época. Tempos depois Lennon se desculpou e disse ter sido mal interpretado. No vídeo, que na tarde de ontem já computava com quase 61 mil visualizações, o pastor conclui: "Queria estar lá no dia que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: 'Me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse em nome do Espírito Santo'".

Em outro vídeo, provavelmente no mesmo culto, Feliciano também relaciona a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas à vontade divina. A banda, que morreu num acidente aéreo em 1996, ficou conhecida por letras cômicas. O conteúdo das músicas, para o pastor, era inadequado. "Ao invés de virar pra um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças", diz o pastor.

A assessoria de imprensa de Feliciano confirmou o teor das declarações feitas durante o culto e afirmou que a opinião do pastor continua a mesma. Desde que o deputado assumiu a presidência da comissão, diversas frases polêmicas atribuídas a ele ganharam destaque. Algumas delas são usadas por ativistas como argumento para pedir sua renúncia do cargo por serem consideradas racistas e homofóbicas. Em declarações recentes, Feliciano afirmou que não pretende deixar o comando do colegiado.

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