Imagem João Bosco Rabello
Colunista
João Bosco Rabello
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Desorientação geral

A mais recente manifestação formal do PT contra o desfecho judicial do mensalão, feita pelo seu presidente Rui Falcão, revela a determinação do partido de levar às últimas consequências a política de redução de danos eleitorais com o episódio.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2013 | 02h11

Depois do Supremo Tribunal Federal, chegou a vez dos médicos, os manipuladores da hora, que ousaram divulgar um laudo técnico minimizando os diagnósticos tão convenientes quanto leigos sobre a saúde do deputado José Genoíno.

Se limitada a uma sincera preocupação com seu ex-dirigente, o PT investiria objetivamente em questionar a capacidade do sistema penitenciário de garantir ao ainda deputado o tratamento adequado à sua enfermidade e não em contestar um diagnóstico que afasta o risco de vida, também respaldado pela Câmara dos Deputados, ao negar o pedido de aposentadoria por invalidez de Genoíno.

Mas a questão continua sendo a de sustentar a tese da prisão política como resultado de uma conspiração das forças conservadoras contra o projeto popular do partido - e, para isso, preservar o mandato dos parlamentares da legenda - e só destes -, é de fundamental importância. Às favas os escrúpulos, que atropelam a escandalosa exclusão dos parlamentares dos demais partidos condenados no mesmo pacote.

A Câmara se deixa arrastar para um escândalo que pode ficar ainda maior, quando o tempo esvaziar o impacto das prisões, que é a figura do deputado-presidiário.

O adiamento da abertura do processo da cassação de Genoíno pela Câmara vai aproximá-lo mais ainda do auge da campanha, aumentando o desgaste para o PT e para a instituição, embora isso não pareça ter importância para um e outro. Se, por omissão, os demais partidos fizerem a vontade do PT, se sujeitarão aos mesmos prováveis danos eleitorais.

O foco no presidente do STF, Joaquim, Barbosa, aumenta-lhe a visibilidade de juiz que enfrentou a impunidade histórica, porque o desconforto com a blindagem dos poderosos tem muito mais apelo popular que o jogo do PT para seu público particular.

Não fosse o espelho em que a maioria dos parlamentares se vê na imagem do condenado de hoje, a racionalidade já teria determinado como saída para a preservação da independência do Legislativo, que ele próprio aprovasse regra tornado automática a perda do mandato do condenado em última instância.

Como prevê projeto do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), preterido em favor de outros tantos que acabaram por abrir o voto mesmo para vetos presidenciais, reduzindo ainda mais a autonomia dos parlamentares em relação ao Poder Executivo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.