Desgaste ameaça planos de Alves de presidir a Câmara

Bastidores: Christiane Samarco

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h07

Quem mais perdeu com o confronto entre o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o Palácio do Planalto em torno da direção do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) foi o próprio líder. Embora tenha levado o prêmio de consolação de indicar o substituto de Elias Fernandes, o saldo do episódio é uma derrota dupla para Alves, que se desgastou com o Palácio Planalto, com a cúpula de seu partido e com a própria bancada, pondo em risco seu projeto de suceder o petista Marco Maia (RS) na presidência da Câmara.

O acordo de rodízio com o PT no comando da Casa está valendo, mas a cúpula do PMDB sabe que petistas do Congresso e do governo resistem ao cumprimento do acerto. As resistências são crescentes sobretudo diante da perspectiva de as duas Casas do Legislativo serem presididas por peemedebistas, mas isto não é tudo.

O episódio do Dnocs preocupa pelo entendimento geral de que ao Planalto não interessa apoiar um candidato à presidência da Câmara que faça confronto direto com a presidente da República. E não foi a primeira vez que o líder enfrentou Dilma Rousseff. Na votação do Código Florestal, Henrique Alves também confrontou com o Planalto e deixou a presidente furiosa.

Na bancada insatisfeita com o governo, especialmente por conta dos compromissos não cumpridos de empenho e liberação de recursos para bancar as emendas de peemedebistas ao Orçamento do ano passado, o enfrentamento não desagrada.

O que aborreceu os deputados foi a constatação de que a disposição de luta do líder peemedebista Henrique Alves é muito maior quando estão em jogo seus interesses paroquiais do que nos casos que envolvem demandas dos liderados.

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