Desembargadora diz desconhecer servidor suspeito do TRT-RJ

Maria de Lourdes acusa presidente da OAB-RJ de fazer afirmações levianas sobre a existência de 'mais um Lalau' na corte

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h02

A desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1.ª Região (TRT-RJ), afirmou ontem não saber quem é o servidor que, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou R$ 282,9 milhões em 2002.

Ela acusou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, de fazer afirmações "levianas e açodadas" ao dizer "tratar-se de dinheiro público", insinuar "haver no Tribunal 'mais um Lalau', referindo-se ao ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, do TRT de São Paulo", e ao cogitar "a possibilidade de haver correlação (da movimentação financeira) com o trágico incêndio ocorrido em 2002 na sede do TRT-RJ".

Segundo a desembargadora, que chegou a ficar com voz embargada e se esforçou para não chorar durante a entrevista coletiva, "as suspeitas lançadas pelo presidente da OAB-RJ atingiram quase 6 mil honrados e dedicados servidores e magistrados, ativos e inativos" do Tribunal.

O Coaf divulgou anteontem que um servidor do TRT-RJ movimentou R$ 282,9 milhões em 2002. Não se sabe a origem desse dinheiro. Antes de se tornar servidor, ele teria sido um ex-doleiro e sócio de uma casa de câmbio. O homem chegou a ser preso durante uma operação realizada pela Polícia Federal.

Maria de Lourdes afirma que não cabe a ela, mas sim ao Ministério Público Federal, perguntar ao Coaf o nome do servidor. Por isso, ela encaminhou ontem ofício ao Coaf em que pergunta se, quando identificou a movimentação atípica, o órgão informou ao TRT-RJ. Ela também pediu ao Ministério Público que, caso ainda não esteja investigando o caso, comece a fazer isso.

"Não tenho conhecimento de nenhum funcionário do TRT-RJ que tenha sido preso desde 2002, nem o Tribunal foi comunicado sobre qualquer movimentação atípica", afirmou.

Cobrança. O presidente da OAB-RJ afirmou que não fez acusações genéricas, mas cobrou o fim do sigilo de informações que podem envolver dinheiro público. "Pode ser que não haja nenhuma irregularidade na movimentação do dinheiro por esse funcionário, mas é preciso vir a público e esclarecer", afirmou. "A presidente do TRT está em um momento infeliz, mas agir com falta de respeito e criar uma relação tensa com a OAB não ajuda em nada", disse.

A OAB-RJ também emitiu dois ofícios ontem: ao Coaf, pediu o nome e outras informações sobre o servidor; ao Ministério Público Federal, solicitou a investigação do caso. "O TRT tomou providências semelhantes, mas só depois que a OAB-RJ apresentou suas medidas", disse.

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