Desembargador exibia riqueza, afirma colega

O desembargador Arthur Del Guércio Filho, afastado sumariamente de suas funções por suspeita de corrupção, "ostentava riqueza" segundo o desembargador Gilberto de Souza Moreira em depoimento à Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo. "Tinha carro Mercedes Benz; à época ele era um simples substituto e tinha veículos importados, casa em Campos do Jordão, a qual ele fazia questão de mostrar."

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2013 | 02h11

O relato de Moreira contradiz as recorrentes alegações de Del Guércio que, para advogados de causas sob sua responsabilidade, solicitava dinheiro dizendo que atravessava "situação financeira apertada" ou que sofria pressões de credores. Em sua declaração de rendas e bens, exercício 2011, ele informou possuir uma Mercedes C 200 avaliada em R$ 136 mil.

Moreira, que se aposentou na semana passada após 34 anos de magistratura, é testemunha importante na investigação aberta contra Del Guércio. Ele depôs dia 27 de março - o TJ liberou ontem os autos do procedimento para consulta.

Os dois integraram a 7.ª Câmara de Direito Privado do TJ até 2006. "Comecei a perceber uma coisa no mínimo estranha", conta Moreira. (Del Guércio) me procurava com frequência para propor uma solução ou outra no processo que parecia muito descabida. Me procurou propondo soluções esdrúxulas."

Moreira afirma que advogados, entre os quais magistrados aposentados, o informaram sobre a conduta de Del Guércio. "Nenhum se propunha a testemunhar porque não tinha provas e nós, da Câmara, já cientes de que o processo desonestidade era flagrante."

Ele conta que se reuniu com outros desembargadores e chamaram Del Guércio. "Não queremos você como nosso companheiro", disseram. "Ele (Del Guércio) virou as costas e desapareceu. Foi colocado em uma Câmara onde não poderia roubar, creio que execuções fiscais, mas depois se deslocou para a 15.ª Câmara de Direito Público."

Denúncias. Na ocasião, Moreira levou as denúncias à Presidência do TJ. "O problema é que não havia provas. Na Justiça se usa como matéria-prima a prova. Se não tem prova não adianta. Esses camaradas não deixam vestígios. Demorou, mas ele (Del Guércio) deixou impressão digital. Agora, a prova é segura. (Del Guércio) é um furúnculo em um tecido são, uma mancha que nós apertamos, nós tiramos de um corpo confiável. A magistratura paulista é constituída de homens honrados."

O criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende Del Guércio, reagiu. "É inaceitável o afastamento de um magistrado, com 30 anos de atuação profissional, sem qualquer mácula em sua atividade profissional, sem que tenha sido dado ao meu cliente o direito de defesa." Para Lima, o desembargador é alvo de "um julgamento de exceção". "No momento oportuno, será demonstrada a improcedência das acusações." / FAUSTO MACEDO

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