Desembargador do Rio recebe pena máxima por ligação com lobista

Roberto Wider foi punido com aposentadoria compulsória pelo CNJ após órgão ter vencido batalha no Supremo

MARIÂNGELA GALLUCCI /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h03

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu ontem, por 12 votos a 2, aposentar compulsoriamente o desembargador Roberto Wider, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A aposentadoria compulsória representa, na esfera administrativa, a pena máxima para magistrados que cometem irregularidades.

Afastado do cargo desde 2010, Wider foi acusado de favorecer um lobista amigo, Eduardo Raschkovsky. Uma das suspeitas era de que, como corregedor, ele teria nomeado para o comando de cartórios dois advogados que tinham ligação com esse lobista.

Autora do voto que prevaleceu no julgamento, a corregedora Eliana Calmon concluiu que houve tráfico de influência. Segundo ela, o desembargador feriu os princípios da legalidade, da impessoalidade e da imparcialidade.

Unanimidade. Em janeiro de 2010, o Conselho Nacional de Justiça havia aprovado, por unanimidade, o afastamento preventivo do desembargador - que, na época, era corregedor-geral do TJ fluminense.

A abertura do processo contra Wider decorreu de uma série de reportagens publicadas pelo jornal O Globo, nas quais era apontado o seu envolvimento com Raschkovsky. O empresário, afirmava o jornal, usava sua influência junto a magistrados para favorecer seus sócios.

Entre as denúncias que levaram à abertura do processo estava a nomeação - sem concurso - de dois advogados para titulares, respectivamente, do 11º Oficio de Notas do Rio e 6º Ofício de Justiça da Comarca de São Gonçalo, no interior do Rio.

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