'Desejo que ele cumpra as promessas'

Serra pede 'vigilância', defende 'manutenção dos avanços' da gestão do prefeito Gilberto Kassab e afirma que fez uma 'campanha limpa'

BRUNO BOGHOSSIAN, RICARDO CHAPOLA, GUILHERME WALTEMBERG, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h06

"Termino a campanha com mais energia, mais vigor e mais disposição, com ideias renovadas e vamos em frente." Assim terminou o discurso do candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), que desejou boa sorte ao prefeito eleito Fernando Haddad (PT) e disse esperar que ele "cumpra suas propostas de campanha". Abatido, Serra defendeu "avanços" da gestão Gilberto Kassab. Terminou a campanha cercado apenas de lideranças locais do PSDB, a exemplo do que ocorreu nos últimos dois meses.

Com 2.708.768 votos, Serra teve 44,43% dos votos. "Me empenhei em levar nossa palavra aos paulistanos no rádio, na tevê e especialmente no contato fraterno com a população em centenas de ruas", disse. "Foi esse contato que renovou a cada dia a minha energia, minha disposição e minhas ideias, a respeito da cidade e a respeito do Brasil. Mas as urnas falaram e as urnas foram soberanas. Desejo de público boa sorte ao prefeito eleito."

Serra também pediu engajamento à população para cobrar Fernando Haddad a partir do ano que vem. "Os últimos anos registraram conquistas importantes na cidade pelas ações da Prefeitura e do governo do Estado", afirmou. "Espero que sejam mantidas e aperfeiçoadas (as conquistas) e que não haja retrocesso. O discurso teve apenas 5 minutos - Serra foi aplaudido ao final, cumprimentou os aliados, mas deixou em silêncio o auditório do comitê da campanha no Edifício Joelma, no centro de São Paulo.

Segundo Serra, a campanha tucana "defendeu a ética na vida pública" e foi "limpa, propositiva, com ideias novas". O coordenador da campanha tucana, deputado federal Edson Aparecido (PSDB), afirmou na noite de ontem que a derrota do tucano nas eleições municipais está ligada ao fato da campanha não ter conseguido mostrar os pontos positivos da gestão de Gilberto Kassab, que tem sido mal avaliada pela população de São Paulo. Aparecido citou também o fato de Serra ter sido criticado durante o primeiro turno por ter deixado a prefeitura pouco mais de um ano após assumi-la, em 2006.

"A campanha enfrentou adversidades no primeiro turno. Eram cinco candidatos batendo no Serra e desinformando a população sobre a sua renúncia da prefeitura. Além disso, não conseguimos explicar tudo de bom que foi feito na gestão Kassab", afirmou.

Para Aparecido, a primeira semana da campanha tucana no segundo turno "patinou" ao entrar no debate sobre o chamado "kit gay". "No segundo turno, teve a primeira semana que nós patinamos. Seguramente, o resultado teria sido diferente", afirmou o deputado, ressaltando que discussão sobre a polêmica envolvendo a manutenção ou rompimento da parceria entre a prefeitura e as organizações sociais (OS) em hospitais trouxe mais resultado à campanha.

Oposição. O vereador reeleito e líder do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, Floriano Pesaro, afirmou que o momento é de "renovação" dentro do partido. De acordo com Pesaro, a conquista de Haddad mostrou "a importância de um partido ter quadros novos". "Isso mostra um sentimento que já havia sido detectado (pela mídia) da importância de termos quadros novos", disse. "O PT soube trabalhar isso melhor que o PSDB."

De acordo com o vereador, a renovação que o partido precisa vivenciar inclui uma revisão da "forma de se comportar e um regaste do legado do PSDB". "Temos que voltar às origens da época do Franco Montoro. Não temos somente que mostrar novas caras, mas pensar nossas origens", afirmou.

A bancada do PSDB na Câmara dos Vereadores, que é parte da base de sustentação do governo Kassab , vai agora migrar para a oposição com a chegada de Fernando Haddad ao poder. Pesaro afirma que a bancada já está preocupada com o possível "aparelhamento" da Prefeitura. "O PSDB agora está na oposição, uma oposição fiscalizadora. Estamos preocupados com o aparelhamento da máquina, que é uma tendência do PT", disse.

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