Desde 2008, 36 prefeitos paulistas foram cassados

Pelo menos 36 prefeitos do Estado de São Paulo tiveram os mandatos cassados sob a acusação de irregularidades administrativas ou eleitorais desde as eleições de 2008.

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA , O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h07

Embora a maioria tenha recuperado o cargo na Justiça, algumas cidades correm o risco de chegar ao novo pleito em 2012 sem prefeito ou com seu principal mandatário sub judice.

Em seis municípios - um número recorde no Estado - foi necessária a realização de novas eleições porque a cassação atingiu, além do prefeito, seu substituto natural, o vice-prefeito. São eles: Guarani D'Oeste, Lupércio, Igaraçu do Tietê, Aguaí, Tarabai e Araras.

Nos últimos meses dois casos ganharam os holofotes. Em Campinas, o prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), foi cassado pela Câmara por suposta omissão ou negligência na apuração de um esquema de corrupção e fraudes em contratos da prefeitura. Na vizinha Limeira os vereadores afastaram do cargo o prefeito Sílvio Félix (PDT) para que seja investigado por omissão ou possível envolvimento em esquema de desvios de verbas. Ambos alegam inocência.

O prefeito de Ouroverde, Nelson Pinhel (PTB), perdeu o mandato após ser acusado de receber propina - ele nega a acusação. Tomou posse o vice Sebastião Geraldo da Silva, mas o prefeito cassado ainda espera a decisão de um recurso.

Humberto Parini (PT), prefeito de Jales, está entre os que perderam o cargo por decisão da Justiça - ele teve os direitos políticos suspensos -, mas se mantêm na prefeitura graças a liminares. O prefeito de Lorena, Paulo Neme (PTB), também usou o instrumento jurídico para não deixar o cargo.

A Câmara de Sarapuí, na região de Sorocaba, cassou duas vezes o mandato do prefeito César Dinamarco Corsi (PSDB), que se beneficiou de liminares para continuar administrando a cidade. Corsi foi acusado de pagar funcionários fantasmas e comprar ração animal com verba da merenda. Ele nega as irregularidades. Também se mantém no cargo com aval da Justiça o prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Jorge Abissamra (PSB), cassado pelos vereadores por irregularidades na prestação de contas. Ele diz que a denúncia não procede.

Compra de votos. Desde as últimas eleições municipais, a Justiça Eleitoral tirou o posto de 28 prefeitos por infrações durante a campanha como compra de votos, captação ou gastos ilícitos de recursos e abuso do poder econômico, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Desses, 22 acabaram recuperando o mandato. O caso mais notório foi o do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, então no DEM, cassado no início de 2010 com a vice Alda Marco Antonio (PMDB), sob a alegação de ter recebido ilegalmente doações de campanha. O TRE, no entanto, reformou a decisão do juiz de primeiro grau e manteve nos cargos o prefeito e sua vice.

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