Desafio: 52 dias sem falar para câmera

TV ajudou a manter vice-liderança em pesquisas

O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h05

No fim da tarde de sexta-feira, o ex-deputado Celso Russomanno (PRB) deixou o seu QG político - uma mansão no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo -, caminhou meia quadra e chegou aos estúdios da Rede Brasil para gravar a sua última participação como colaborador na TV. Foram cerca de 45 minutos ao vivo, respondendo a perguntas de telespectadores sobre direito do consumidor. De acordo com a Justiça Eleitoral, os candidatos têm de se afastar de suas atividades em meios de comunicação após as convenções partidárias. Russomanno foi confirmado ontem como nome do PRB para disputar a Prefeitura.

Na semana passada, Russomanno se despediu também do telejornal Balanço Geral da TV Record, onde apresentava o quadro Patrulha do Consumidor, que durava cerca de 10 minutos. Ele estava à frente de outro programa na rede CNT.

Especialistas acreditam que a intensa exposição do pré-candidato na televisão nos últimos meses o fez consolidar o segundo lugar nas pesquisas eleitorais. Na último levantamento do Datafolha, Russomanno aparece com 24%, atrás apenas do tucano José Serra. Desde que estreou na Record, em dezembro, avançou oito pontos porcentuais.

O coordenador da campanha de Russomanno e presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, nega que a ida dele para a emissora, três meses depois de ter trocado o PP pela sigla ligada à Igreja Universal, tenha ocorrido por motivos eleitorais. "O Russomanno já vinha negociando a sua volta para a Record antes de se filiar ao partido. Ele é um cara que dá audiência", argumenta.

De fato, a carreira televisiva de Russomanno é longa. Ele estreou com o programa Night Clip, na Gazeta, em 1985, e ganhou notoriedade no Aqui Agora, do SBT, onde começou a fazer da defesa do consumidor uma bandeira pessoal. A guinada do entretenimento para o jornalismo cidadão ocorreu após uma tragédia: a morte da mulher, Adriana, em 1990, por falta de atendimento médico. No dia em que ela foi internada, ele filmou as instalações do hospital, mostrando que não havia médicos. Trechos do drama familiar foram apresentados em seu programa.

Ele costuma dizer também que esse episódio o motivou a entrar para a política. Em 1994, foi o deputado mais votado do Brasil, sendo reeleito outras três vezes. Em 2010, disputou o governo do Estado pelo PP e ficou em terceiro lugar. É dessa época sua mágoa com Paulo Maluf, até então seu padrinho político. Russomanno diz ter sido abandonado pelo ex-prefeito nas eleições e hoje em dia não poupa críticas ao ex-aliado.

Minutos. Acostumado a aparecer na telinha, Russomanno terá agora de se contentar com os poucos minutos a que terá direito na propaganda eleitoral. Mesmo a coligação com o PTB anunciada na semana passada dará a ele apenas 2min11s de exposição no rádio e na TV. Alguns de seus principais adversários terão mais que o triplo disso.

A partir de 21 de agosto, Russomanno terá esses minutos diários para pelo menos sustentar a segunda posição até 7 de outubro. O ex-deputado acredita que não foi a exposição dos últimos meses que influenciou o desempenho nas pesquisas e diz que não se preocupa com o pouco tempo no horário eleitoral: "Eu tenho mais de 20 anos de TV, sei muito bem como aproveitar esses dois minutos". / I.P.

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