Derrotado tenta barrar novo líder do PMDB no Supremo

Ação de Sandro Mabel contra Eduardo Cunha expõe racha na bancada do partido na Câmara dos Deputados

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2013 | 02h09

O racha causado pela disputa da liderança do PMDB na Câmara assumiu ontem ares de conflito jurídico e setores do partido já pedem até uma intervenção de emergência do Planalto. Depois de fazer um discurso pacificador, após ser derrotado por Eduardo Cunha (RJ) na disputa pelo posto, o deputado Sandro Mabel (GO) entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação do processo.

Mabel alega que os suplentes Marcelo Guimarães Filho (BA) e Leomar Quintanilha (TO) foram empossados "indevidamente" nas vagas dos deputados João Carlos Bacelar (PR/BA) e Lázaro Botelho (PP/TO), respectivamente. A manobra foi promovida na última hora para garantir mais votos para Cunha na eleição do domingo.

"A posse de parlamentares, ainda que em situações excepcionais, o que não foi o caso, somente poderia ser efetivada pelo presidente da Mesa, justamente por ele estar em exercício de suas prerrogativas atinentes ao cargo, na forma do Regimento Interno. Porém, foi levada a efeito por outro membro da Mesa Diretora", argumenta Mabel no documento. Ele se referia à deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), que empossou os dois parlamentares no sábado, véspera da escolha do novo líder do partido.

Apesar do descontentamento com a vitória de Cunha, o mandado de segurança foi impetrado somente na segunda-feira, depois que a eleição de Henrique Alves (RN) para a presidência da Câmara foi confirmada. O pedido para aguardar a eleição à presidência da Casa partiu do vice-presidente da República, Michel Temer, que conversou no domingo com Mabel.

Ameaças. "Ele (Eduardo Cunha) fez ameaças, dizendo que prejudicaria a eleição de Henrique. O Michel e o Henrique então me pediram para aguardar e fiz isso pelo projeto maior do partido, que é ter o Henrique na presidência da Casa", justificou Mabel.

Após a contagem de votos - 46 a 32 em favor de Cunha -, no domingo, Mabel falou de sua derrota: "Quando você é intitulado candidato de governo, fica um pouco mais difícil, tendo uma bancada que tem uma porção de coisas que não são assentidas. O discurso dele, mais forte, se posicionando contra o governo, o ajudou." Na ocasião, ele disse que a bancada não se dividiria.

Não foi, porém, o que se percebeu ontem quando Mabel e outros 29 deputados não compareceram à primeira reunião com Cunha à frente do partido. "Ele convocou o encontro para apresentar suas intenções como líder, mas deveria acender o sinal de alerta com a quantidade de faltas já nesse primeiro dia. Ele tem de entender que não são gritos que vão fazer com que a bancada se una", advertiu.

A briga é acompanhada de perto pelo Planalto, que evita intromissões diretas, mas pode escalar Michel Temer para acalmar os ânimos. O temor é que o racha - o PMDB tem 80 deputados - prejudique votações importantes para o governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.