Paulo Valadares/Câmara dos Deputados
Paulo Valadares/Câmara dos Deputados

Deputados ‘novatos’ querem dar apoio suprapartidário nas eleições municipais

Eleitos na onda da renovação, parlamentares vão incentivar candidatos de outros partidos, mas com as mesmas bandeiras

Fernanda Boldrin, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2020 | 05h00

Eleitos em 2018 na onda da renovação política, parlamentares de movimentos como RenovaBR, Livres e Raps pretendem apoiar neste ano candidatos que não são de seus partidos. Eles afirmam que enfrentaram as urnas pela primeira vez sem a ajuda de “padrinhos” e, agora, querem facilitar o caminho daqueles que, independentemente da filiação partidária, compartilham de suas bandeiras. Dirigentes se dividem entre dar carta-branca à iniciativa e questionar o reforço a outras legendas. 

Dois dos parlamentares que ampliaram a própria rede de apoio para além de seus partidos são os deputados Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES). Eles estão distantes de seus partidos desde o ano passado, quando contrariaram as legendas na votação da reforma da Previdência. Mas ambos negam que tenha sido esta a motivação para construir um apoio suprapartidário em 2020.

Tabata busca fortalecer candidaturas femininas e apoia mulheres de diversas siglas. As selecionadas para receber apoio são de 17 partidos distintos, passando por PSOL, MDB e Republicanos. Três a cada quatro delas são de grupos de renovação. “Elas são ideologicamente diferentes, mas, em termos de valores e trajetória, têm muito em comum”, disse a deputada. 

Presidente do PDT, Carlos Lupi afirmou que toda iniciativa para incentivar mulheres é positiva, mas isso deve ser feito via instituições partidárias. “Questiono quando a pessoa se elege pelo PDT e apoia candidatos de outros partidos. O que representa a sociedade são os partidos”, disse Lupi. Para Tabata, no entanto, “a luta por mais mulheres na política não é partidária”. “Algumas lutas transcendem isso.”

Rigoni lançou mão de uma estrutura ampla de apoio para as próximas eleições. No momento, ele conduz entrevistas com cerca de 40 candidatos para escolher quem vai ajudar no processo eleitoral. Os avaliados pertencem a siglas como DC, PV, PDT e Novo. “Eu não vou apoiar porque é do partido, vou apoiar porque a pessoa pensa como eu”, afirmou. 

Colega de partido de Rigoni, o deputado Rodrigo Coelho (SC) também tem conduzido apoio político em seu Estado de maneira suprapartidária. “Estou ajudando colegas que têm perfil parecido com o nosso.” 

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, minimizou o apoio a candidatos de outras siglas e disse não se preocupar com a questão. “Nosso partido não depende da atuação deles”, declarou.

'Quanto mais localizado, menos o partido importa'

Professora da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV, a cientista política Graziella Testa afirmou que as siglas podem ser menos relevantes em questões locais, como no caso das eleições municipais. “Quanto mais localizado, via de regra, menos o partido importa, porque as questões locais muitas vezes não estão abarcadas nas grandes questões partidárias.”

É esta percepção que embasa o argumento do deputado Tiago Mitraud (Novo-MG), que decidiu apoiar diversos candidatos na disputa deste ano. O parlamentar afirmou que, nas cinco cidades de Minas Gerais onde o Novo terá candidatos, seu apoio ficou restrito a integrantes do partido.

Mas nos demais municípios, ele pretende ajudar candidatos de 16 legendas distintas, de diferentes matizes ideológicos – da Rede ao PSL – escolhidos por meio de um processo seletivo. “Para a gente isso é menos determinante do que a qualidade do candidato”, afirmou.

 

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