Deputados fazem fila para o 'voo do papa'

Parlamentares assediam presidente da Câmara para integrar comitiva que irá ao Rio ver pontífice

Eduardo Bresciani - O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h03

Brasília - A Câmara dos Deputados prepara um "voo do papa" para levar parlamentares à recepção oficial ao papa Francisco no dia 22 de julho na visita que ele fará ao Rio de Janeiro por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, evento da Igreja Católica que deve receber mais de 2 milhões de pessoas. A previsão é de que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) saia de Brasília no dia do evento.

Pelo menos 20 deputados já pediram ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para entrar na comitiva que vai recepcionar o pontífice. Os líderes partidários, por sua vez, já foram convidados por Alves e aguardam ainda mais informações para saber se será possível a carona em um avião da FAB para todos.

Um modelo de maior capacidade deverá ser requisitado, uma vez que a aeronave usada de forma mais constante pelos dirigentes do Legislativo dispõe de 14 poltronas. A viagem terá caráter oficial. O convite aos parlamentares foi feito pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, que organiza a Jornada Mundial da Juventude.

'Católico praticante'. Um dos deputados que está confirmado na comitiva é André Moura (SE), líder do Partido Social Cristão (PSC), que se define como católico praticante. Ele diz ter recebido o convite da presidência da Casa e espera que o papa Francisco, que é argentino e já organizou passeatas contra o casamento gay, trate de temas polêmicos nos quais o seu partido participa ativamente do debate, como a condenação ao aborto e à concessão de direitos a homossexuais.

"A jornada acontece em um momento da Igreja e da sociedade brasileira e mundial em que se está discutindo aborto e outras questões tramitando na Câmara, sobre sexualidade, por exemplo. Acho que o papa Francisco vai ter papel fundamental para marcar a posição da Igreja em vários temas e, principalmente, nesses que vai se debater cada vez mais", diz Moura.

A composição da comitiva ainda não foi fechada pela presidência da Câmara, nem a aeronave foi solicitada oficialmente à FAB.

Além dos parlamentares, a presidente Dilma Rousseff, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital, Eduardo Paes, farão a recepção ao pontífice no dia de sua chegada ao Brasil. Segundo a agenda oficial, uma cerimônia de boas-vindas ao pontífice acontecerá no Palácio da Guanabara, sede do governo fluminense. Neste local, o papa Francisco fará seu primeiro discurso no Brasil. Esta será a primeira viagem internacional do papa desde sua ascensão ao cargo, em março deste ano.

A viagem para a recepção ao papa será a primeira de Alves ao Rio desde a final da Copa das Confederações, em 30 de junho. Naquela ocasião quem se beneficiou da carona foram amigos e familiares do presidente da Câmara. Alves levou a noiva, Laurita Arruda, o irmão dela, Arturo, e sua esposa, Larissa, além de um filho e dois enteados.

O presidente justificou o uso do avião da FAB por ter um almoço na casa de Paes, mas acabou devolvendo R$ 9,7 mil aos cofres públicos que seriam os valores equivalentes a voos de carreira de ida e volta para os parentes no trajeto entre Natal e Rio.

Primo do presidente da Câmara, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, também usou avião da FAB para assistir à final da Copa das Confederações no Rio. Ele também anunciou a devolução de dinheiro. Os episódios levaram o governo federal a rever os critérios para uso de aviões da FAB. Um novo decreto está sendo preparado pela Controladoria-Geral da União (CGU).

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