Leonardo Prado/Agência Câmara
Leonardo Prado/Agência Câmara

Deputado PT vota com 'blocão' contra o governo

Único da sigla a seguir ala rebelde, Francisco Praciano (AM) diz que voto não é 'traição'

Eduardo Bresciani , O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h04

BRASÍLIA - Petista à moda antiga, como se autodefine, o deputado Francisco Praciano (AM) foi o único integrante do partido da presidente Dilma Rousseff a votar com o grupo de parlamentares insatisfeitos com o governo na primeira votação usada para retaliar o Palácio do Planalto. Para ele, apoiar a criação de uma comissão externa para investigar as suspeitas de corrupção envolvendo a Petrobrás não é traição ao governo. Ao contrário, a medida é até "fraca" para a gravidade do caso.

"A denúncia é forte, e acho até que o instrumento é fraco. A comissão externa não vai muito além do que a mídia já fez", disse Praciano. "Poderia ser caso até de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Se aparecer, eu assino, até para manter a coerência."

A comissão usada pelo "blocão" - grupo de deputados descontentes com o governo, comandado pelo líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) - para retaliar o Planalto tem como objetivo investigar a suposta propina paga pela empresa holandesa SBM a funcionários da Petrobrás.

Praciano é presidente da Frente Parlamentar Contra a Corrupção e integrante da Organização Global de Parlamentares contra a Corrupção. Por isso, afirmou o deputado, ninguém do partido ou do Planalto sequer o procurou na tentativa de impedir seu voto com o bloco dos rebelados.

"Não se trata de traição, eu sou PT, sou governo. Entretanto, tem algumas coisas que não flexibilizo em nome da governabilidade, que são as questões éticas", afirmou Praciano. "Sou um PT à moda antiga, com muitos princípios do tempo da oposição. O PT é um partido que sempre defendeu o combate à corrupção."

Praciano avaliou que, como a acusação publicada na imprensa trouxe valores, nomes e suspeitas de pagamento de propina, é obrigação do Congresso apurar a veracidade dos dados. "Não tenho compromisso com erro de ninguém", afirmou. O petista destaca que a Justiça holandesa e o Ministério Público brasileiro já estão apurando o caso, mas isso não seria argumento para impedir a Câmara de tentar avançar no tema. "Com a comissão criada, eu espero agora um trabalho sério, profissional, sem 'oba-oba'."

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