Fernando Bizerra Jr./EFE
Fernando Bizerra Jr./EFE

Deputado herda número eleitoral de Maluf e quer mudar imagem negativa do PP

Ricardo Izar tenta reeleição na Câmara; em julho, cacique falou em 'estelionato eleitoral' caso perdesse número

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2018 | 18h38

Brasília – Mesmo com o deputado afastado Paulo Maluf (PP-SP) fora da disputa eleitoral deste ano, os eleitores de São Paulo encontrarão o seu famoso número na urna eletrônica. O 1111 foi registrado pelo deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), candidato à reeleição. Ele diz que a intenção do PP é melhorar a imagem da sigla entre os paulistas. 

"Escolhemos manter o número do Maluf na eleição porque ele (o número) tem uma imagem negativa e nós queremos mudar isso. Também queremos dar uma cara nova para o partido no Estado", disse Izar ao Broadcast Político. Segundo ele, a decisão foi tomada em uma reunião com os deputados Guilherme Mussi e Arnaldo Faria de Sá, ambos também do PP de São Paulo. Os parlamentares escolheram justamente Izar para usar o famoso número por ele ter tido uma atuação considerada como muito boa pelos colegas quando foi presidente do Conselho de Ética da Câmara.

"O Maluf foi muito bom para a cidade de São Paulo, fez muitas coisas boas, mas vamos combinar que ele está com a imagem queimada", disse Izar. "Eu até ia usar o número 1112, que já foi do meu pai, mas decidimos que era bom fazer esse gesto", completou.

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Em julho, Maluf afirmou ao jornal O Globo que, quem usasse o seu número na urna eletrônica estaria cometendo "estelionato eleitoral". O deputado chegou a dizer que iria registrar a sua candidatura para evitar que outro postulante do seu próprio partido usasse o 1111, mas ele não efetivou o registro.

"Se eu fosse o estelionatário, eu que deveria estar preso e não ele", disparou Izar, que disse não ter conversado com o colega sobre a decisão. Maluf foi condenado em maio de 2017 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de lavagem de dinheiro a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão. Atualmente ele cumpre prisão domiciliar em São Paulo.

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Nesta semana, Maluf terá seu destino como parlamentar definido. Ele poderá renunciar ao mandato de deputado federal ou a Mesa Diretora da Câmara deverá cassá-lo. Na quarta-feira, 22, o colegiado se reunirá mais uma vez para analisar o caso

Na semana passada, o seu advogado Antônio de Almeida Castro levou à Mesa a possibilidade da renúncia e os deputados aceitaram o pedido de postergar a decisão por mais uma semana. O corregedor da Casa, Evandro Gussi (PV-SP), por outro lado, disse que, se Maluf não apresentar nenhuma decisão, a Mesa irá decidir pela cassação.

Em fevereiro, a Justiça determinou que a Câmara cassasse o mandato de Maluf por entender que, condenado e cumprindo a pena, ele não poderia comparecer às sessões ordinárias da Câmara. Na época, a Casa afastou o deputado e deu posse ao seu suplente, Junji Abe (PSD-SP).

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