Deputado do PT no Rio é acusado de 'gerenciar' milícia

Polícia prende seis sob a acusação de ameaçar moradores de favela a pagar até R$ 300 por semana

Talita Figueiredo, de O Estado de S. paulo,

05 de setembro de 2008 | 19h32

A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira, 5, seis pessoas denunciadas na semana passada pelo Ministério Público por suposta formação de quadrilha de milicianos que atuaria na favela da Foice, em Barra de Guaratiba (zona oeste do Rio). A operação visava ao cumprimento de dez mandados de prisão mas, até a noite a polícia ainda buscava quatro pessoas. Entre os presos está o tenente-coronel PM Carlos Jorge Cunha que, segundo a corregedora da Polícia Civil, delegada Ivonete Araújo, dividiria a gerência da milícia local com o deputado estadual Jorge Luiz Hauat, o Jorge Babu (PT). A prisão de Babu não foi pedida porque ele tem foro privilegiado. Veja Também:Tropas não atuarão como polícia, diz JobimTropas desembarcam nas eleições do Rio em até sete diasCandidatos reagem a 'currais' do tráfico e milícias no RioConheça os candidatos a prefeito no Rio  Especial tira dúvidas do eleitor sobre as eleições   Veja as regras para as eleições municipais  A investigação foi feita pela corregedoria e, nesta sexta, contou com a participação de policiais da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) e de outras delegacias especializadas para cumprir os dez mandados de prisão e outros dez de busca e apreensão. O deputado, que é policial civil, responderá a um processo administrativo e poderá ser expulso da corporação. Na segunda-feira, a Executiva Estadual do PT no Rio decidiu suspendê-lo por 60 dias. A denúncia do Ministério Público afirma que utilizando-se de violência e graves ameaças, a milícia fazia cobranças semanais dos moradores e comerciantes que variavam de R$ 10 a R$ 300, sob o pretexto de oferecer segurança. A investigação começou a partir de denúncia feita por um morador inconformado com a cobrança. "A população não podia sequer receber correspondências ou remédios sem que estivesse em dia com pagamentos (feitos à quadrilha)", informou o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. "Existe o envolvimento dele, sim", disse Beltrame, a respeito de Babu. Os milicianos também cadastravam eleitores e os obrigavam a dar autorização para colocar material de propaganda política de candidatos protegidos pelo bando em suas casas. Durante a investigação, a polícia fez interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça que constataram homicídios praticados pela quadrilha, mas ainda não identificou as vítimas. Além do tenente-coronel, que estava há um ano lotado no DGP (Departamento Geral de Pessoal), a chamada "geladeira", também foram presos dois cabos, um soldado, um bombeiro e um comerciante. O oficial se apresentou à polícia no início da tarde de ontem e se limitou a negar fazer parte do bando. Ele afirmou que só falará em juízo. Cunha foi levado para o Batalhão Especial Prisional. Babu também negou ter envolvimento com as milícias e afirmou ter colocado seus sigilos bancário e telefônico à disposição da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa do Rio que apura os crimes da milícia. Ele disse que "mais do que ninguém, quer que tudo seja esclarecido".Na operação de ontem, os policiais apreenderam farto material de campanha a vereador de Elton Babu, irmão do deputado, entre outras coisas. A polícia disse, no entanto, que não há indícios que Elton participe da quadrilha. "Todo o material apreendido trará desdobramentos na investigação. Uma de nossas prioridades é o combate às milícias", afirmou o secretário.

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