Deputado diz que vagas são loteadas

Deputados estaduais, dirigentes partidários e membros do governo costumam negar que sejam feitas indicações políticas para cargos comissionados que deveriam ser ocupados por técnicos. Na semana passada, porém, o assunto veio à tona de maneira inusitada. Irritados com a demora na liberação de recursos do orçamento estadual provenientes de emendas feitas por parlamentares para obras em suas bases eleitorais, deputados da base de Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa ameaçaram fazer uma rebelião contra o governo.

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2014 | 02h03

Entre os mais exaltados, o deputado Rafael Silva, do PDT - partido que integra a base de Alckmin -, acusou o Palácio dos Bandeirantes de usar cargos em troca de apoio. "Os deputados estão irritados, mas têm medo de bater de frente porque têm cargos no governo. Quem tem cargo, perde a independência", disse o pedetista.

Questionado sobre quais seriam os cargos mais utilizados como moeda de troca, o parlamentar fez uma lista: "Divisões regionais de saúde, escritórios regionais de planejamento, Codasp (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo) e até o Instituto de Pesos e Medidas". A bancada petista na Casa vai além e acusa o governo de manter uma "reserva" de cargos para uso político, "O governador fala em eliminar cargos para poupar dinheiro, mas criou cargos por decreto que não foram ocupados", diz o deputado Luís Cláudio Marcolino, líder petista na Casa (veja texto ao lado). A assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes refuta a afirmação e sustenta que todos as indicações de cargos para todos os escalões da gestão são feitas com critérios técnicos.

'Moeda de troca' Especialista em gestão pública, o sociólogo Aldo Fornazieri, diretor da Escola de Sociologia de São Paulo, contesta a afirmação do governo. "O governo usa cargos comissionados para consolidar sua base de apoio na Assembleia. Deputados apoiam o governo e, em troca, recebem uma quantidade de cargos comissionados". Ele diz que a prática é recorrente nas três esferas da federação , o que acaba "boicotando" o desenvolvimento da carreira profissional dos comissionados".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.