Depressão e suicídios, os dramas das tribos no Estado

Um dos principais tormentos das tribos guarani caiová em Mato Grosso do Sul é o suicídio de jovens. Agripino Silva, 23 anos, um rapaz da aldeia Ipo'y, acampamento de uma fazenda em Paranhos, perto da fronteira com o Paraguai, foi encontrado morto na madrugada do último sábado. A suspeita é que se trate de suicídio, conforme os primeiros relatos da comunidade registrados na Funai.

PONTA PORÃ, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h09

"O caso está sendo investigado pela polícia", disse ontem a indigenista Juliana Mello Vieira, da Funai de Ponta Porã, que atende as comunidades daquela área. A indigenista explicou que a situação de Ipo'y já está mais avançada que a dos índios que ocupam Pyelito Kue, em Tacuru. De acordo com a Funai, vivem em Ipo'y cerca de 70 famílias, entre 300 e 400 pessoas.

Para um dos líderes da região, Apyka Rendju ("luz brilhante", em guarani), que já foi ameaçado de morte e não divulga seu nome em português, o caso parece ser mais um das centenas de suicídios que ocorrem entre os caiová. Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lembra o líder guarani, cerca de 1,5 mil índios já morreram desta forma no sul de MS em mais de uma década.

Depressão. De acordo com Apyka Rendju, são pessoas que entram em depressão e se matam. Ele criticou a demora da polícia no episódio. "O pessoal da comunidade se revoltou contra a demora para a retirada do corpo", disse Apyka Rendju. "O corpo ficou lá durante todo o calorento dia de sábado", afirmou. Para ele, a onda de suicídios na região, que já dura mais de uma década, se deve à situação difícil da condição indígena em contato com a colonização branca e a indefinição da questão fundiária. "É muito difícil para algumas pessoas aguentarem a situação", conta ele, que vive em Caarapó, cidade vizinha de Dourados e Ponta Porã. Uma das causas imediatas, segundo líderes indígenas, é o alcoolismo.

Até ontem à tarde, a polícia ainda não sabia a causa da morte. A Funai aguarda o laudo do IML para avançar na investigação. Só depois de concluído o laudo o corpo será liberado para as cerimônias fúnebres. / P.P., ENVIADO ESPECIAL

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