Depois do vale-bode federal, o vale-cana pernambucano

Campos anuncia distribuição de ração para agricultores atingidos pela seca

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h00

Nove dias depois de a presidente Dilma Rousseff lançar o "vale-bode" para agricultores afetados pela seca no Nordeste, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), anunciou ontem em Caruaru, no agreste, o "vale-cana".

O vale-bode de Dilma consiste em um programa de retomada do rebanho dizimado pela pior seca dos últimos 40 anos no semiárido. No dia 13, em Alagoas, a presidente prometeu que o governo federal vai recompor esse rebanho, depois da estiagem. Os agricultores vão receber "a cabrinha" e o "boizinho" perdidos para a seca, conforme o discurso de Dilma.

O vale-cana de Campos, apresentado como ação pioneira, vai reduzir a distância percorrida pelos agricultores do agreste - os que mais sofrem com a estiagem em Pernambuco - para comprar ração e alimentar o rebanho sobrevivente. Hoje, os produtores se deslocam até a zona da mata sul para adquirir cana-de-açúcar para os animais.

A ração estará disponível em cinco cidades diferentes da região, incluindo Caruaru e Garanhuns, cidade natal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Somados, esses polos vão distribuir diariamente 600 toneladas de cana para agricultores de 63 municípios.

"Com essa integração, vamos minimizar o preço do transporte", disse o governador, em visita à unidade de Caruaru. O governo estadual também vai disponibilizar 15 caminhões para que os laticínios e queijarias localizados no agreste façam o transporte diário de cana, a fim de atender os pequenos criadores rurais. A estimativa é a de que o parque industrial de laticínios esteja com ociosidade de 60%.

Prestes a se receber Dilma, na segunda-feira (leia abaixo), Campos evitou ontem criticar o governo federal. "Não é simples para o governo federal coordenar todo esse contexto e enxergar a realidade da seca", disse. "Temos que compreender a complexidade dessa questão e entender que a responsabilidade é de todos."

O semiárido concentra 46% dos pernambucanos. Segundo Campos, até o fim de 2014 o Estado será o primeiro do Nordeste a ter todas as casas da região dotadas de cisternas para armazenamento de água. / A.L.

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