Adriano Machado/Reuters - 28/1/2022
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Eliane Cantanhêde
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Depois do aparelhamento do PT, os gabinetes paralelos de Bolsonaro. Quem pega em 2023?

Enquanto Lula aparelhou Petrobras, CEF, BNDES, agências, Bolsonaro meteu a mão na PF, Receita e Coaf, destroçou a Cultura e governa com gabinetes paralelos.

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2022 | 03h00

É gabinete do ódio para fake news a favor do presidente e contra seus críticos e adversários, gabinete das sombras para escantear o Ministério da Saúde e massificar a cloroquina, gabinete secreto para fatiar o Orçamento sem dizer quem, onde e para quê... Agora, o Estadão  descobre mais um: o gabinete oculto (ou do culto) no Ministério da Educação.

Como dois pastores que não têm qualquer vínculo com a administração pública viajam em jatinhos da FAB, participam de 22 reuniões do ministério e se oferecem para “ajudar” os prefeitos? A reportagem dos repórteres Breno Pires, Felipe Frazão e Julia Affonso revela as entranhas do governo.

O presidente Jair Bolsonaro nem fez reunião ministerial real com pandemia, guerra, enchentes, crise na economia e fome. A que entrou para a história é a do ministro da Educação querendo prender os ministros do STF; a de Direitos Humanos, os governadores; o do Meio Ambiente sugerindo “passar a boiada” na Amazônia e reservas indígenas.

O presidente não deu um “a” sobre economia, só ameaçou quem investigasse seus filhos, amigos e aliados. Dois dias depois, o diretor-geral da Polícia Federal foi demitido e o ministro Sérgio Moro saiu do governo acusando Bolsonaro de interferência política na PF.

Assim como o MEC teve três ministros e meio e na prática não teve nenhum, a PF está no quarto diretor-geral. Bolsonaro foi apertando o torniquete até deixá-la “no ponto”. Se havia alguma ínfima dúvida sobre a “interferência política”, o novo diretor acaba de afastar o responsável pelas investigações sobre ele, filhos e políticos.

E Bolsonaro se insinua nas PMs – vinculadas aos governadores – e manipula as Forças Armadas. Vêm aí mais dois trancos. O general Joaquim Silva e Luna está para cair por, ora, ora, agir como presidente da Petrobras. E o descarte do general Hamilton Mourão abre a vice para o general Braga Netto, a Defesa para o general Paulo Sérgio e o Comando do Exército para o terceiro general em três anos e meio.

Além dos gabinetes secretos, Bolsonaro gosta de brincar com fogo. Na PF, labaredas. Nas Forças Armadas, fogo brando, com a tampa fechada. Ambos produzem vítimas, feridas abertas e cicatrizes. O(a) futuro(a) presidente não vai poder se dividir entre jet ski e castanhas nos voos da FAB, vai ter de dar duro.

O ex-presidente Lula aparelhou Petrobras, CEF, BNDES, agências reguladoras... Bolsonaro meteu a mão na PF, Receita e Coaf, anulou do “superministério” da Economia ao Ibama e ICMBio, destroçou a Cultura e governa com gabinetes paralelos. E um bando de malucos ainda quer assumir essa fogueira em 2023.

COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

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