Depois de intervenção no Recife, PT prega união

Um dia após a intervenção no Diretório Municipal do PT no Recife e a indicação do senador Humberto Costa como candidato à sucessão municipal na cidade, o discurso nesta quarta no Diretório Nacional da sigla era de união. Em entrevista nesta tarde, o presidente nacional da legenda, deputado Rui Falcão, disse que a intervenção foi necessária porque o tumultuado processo não produziu unidade partidária. "Estamos muito tranquilos com a nossa decisão, ela é uma maneira de conter o clima de fratricídio no Recife", justificou o dirigente. Segundo Rui Falcão, a decisão da Executiva Nacional teve o respaldo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

06 Junho 2012 | 17h48

Humberto Costa destacou que atendeu a um pedido do partido e que agora é o momento "de se esquecer as coisas desse processo". "Venho assumir essa candidatura como uma missão, vou com a missão de unir o partido. Vou procurar João da Costa porque quero ele na minha campanha", disse o senador, após participar da reunião do Diretório Nacional da sigla, na capital paulista.

O senador admitiu que deixar o Senado Federal não é uma tarefa simples, já que, segundo ele, cumpre um papel de sustentabilidade do governo. "Não deixo o Senado achando que isso não é relevante, é relevante sim. Mas vou deixar o Senado para fazer uma coisa maior", acrescentou. Ele afirmou ainda que pretende continuar cumprindo suas funções na Casa e no Conselho de Ética, onde é relator do processo que pede a cassação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO, atualmente sem partido). "Não vou sair para a campanha antes de ter concluído este processo", avisou.

Falcão e Humberto Costa negaram que a intervenção da Executiva Nacional tenha sido uma condição imposta para o apoio do PSB à campanha de Fernando Haddad em São Paulo. "Em nenhum momento, o governador Eduardo Campos (presidente nacional do PSB) mencionou alguma cidade de Pernambuco (para apoiar Haddad em São Paulo)", disse Falcão. De acordo com o senador, o PT deve se aliar ao PSB no Recife. "No Recife, ele (Campos) tem todo interesse em manter a aliança."

O processo de escolha do candidato no Recife foi marcado por denúncias de irregularidades, em prévias realizadas entre o atual prefeito João da Costa e o secretário estadual de governo Maurício Rands (PSB), que abriu mão da disputa em favor de Humberto Costa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.