Depoimento é 'uma indignidade', diz Gilberto Carvalho

Ministro vê 'desespero oportunista' e 'falácia' em declarações e diz que ex-presidente 'nunca avistou esse senhor'

TÂNIA MONTEIRO E RAFAEL MORAES MOURA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h03

O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, classificou como "desespero oportunista" e "uma indignidade" as declarações do empresário Marcos Valério ao Ministério Público. "O presidente Lula teve a sua vida privada invadida, examinada, atacada com lupa e até hoje não apareceu nada e não vai aparecer nada porque não é essa a conduta do Lula, de compactuar com qualquer tipo de mal", disse. "Nada do que o senhor Marcos Valério venha a assacar neste momento atinge o presidente Lula, se atingisse, estávamos preocupados."

As declarações do ministro, que foi chefe de gabinete de Lula na Presidência, foram dadas em café da manhã com a imprensa, no Palácio do Planalto. "O que esse senhor tem revelado particularmente naquilo que diz respeito ao presidente Lula é de uma falácia, é de uma falsidade impressionante e me impressiona a credibilidade que se dá a esse cidadão nessa hora, tanto nos detalhes quanto no conteúdo mais profundo", disse Carvalho. Ele lembrou que trabalhava no Planalto. "Eu sei quem entrou e deixou de entrar naquele gabinete", disse referindo-se à sala de Lula, que Valério afirmou ter visitado por três minutos para que o então presidente desse aval, segundo seu depoimento, aos empréstimos bancários que viriam a irrigar o mensalão. "Esse senhor nunca pisou naquele gabinete", completou.

Segundo Carvalho, "o presidente Lula nunca avistou esse senhor". Ele cita que Valério "erra, inclusive, a geografia interna (do Planalto), que é um pequeno detalhe, mas os detalhes também contam". Ele se refere à afirmação de Valério que, depois de se reunir com o então ministro José Dirceu e o tesoureiro Delúbio, contou que os três "subiram" para o gabinete de Lula para que o então presidente desse "ok" para os empréstimos. Só que o gabinete de Dirceu ficava no quarto andar do Planalto e o de Lula, no terceiro - na verdade, o empresário afirmou que a reunião anterior com Dirceu não ocorreu em seu gabinete e sim numa sala do segundo andar usada para "reuniões".

Carvalho disse que "não é verdade" que Valério tenha pago despesas do presidente Lula. "Se houve erros de membros do nosso partido na sua relação com o senhor Marcos Valério, esses erros já foram devidamente julgados e devidamente penalizados", afirmou, referindo-se às penas julgamento do mensalão no Supremo.

O ministro não comentou a declaração do presidente do STF, Joaquim Barbosa, segundo a qual Lula deveria ser investigado. "Cabe a ele ser responsável pelas suas opiniões", disse.

'Indignado'. Carvalho, que conversou com Lula anteontem, afirmou que o ex-presidente está "profundamente indignado com a atitude deste senhor e impressionado com a credibilidade" que ela ganhou, embora esteja condenado a 40 anos pelo Supremo. Para o ministro, "é natural que a oposição, que as forças que querem combater o presidente Lula, usem, em cada episódio, num gesto quase desesperado, tentar fazer separação entre Lula e o povo". Mas avisou que eles "não vão conseguir."

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