Demóstenes vai ao Conselho de Ética e se diz inocente

Senador apareceu ontem de surpresa na reunião do conselho e questionou legalidade da escolha do presidente do colegiado

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h07

Após submergir por alguns dias e ainda sob o impacto das gravações comprometedoras da Polícia Federal, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) apareceu ontem, de surpresa, na reunião do Conselho de Ética da Casa, que julgará a acusação de quebra de decoro parlamentar contra ele. O senador é acusado de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Assim que foi aberta a sessão, Demóstenes pediu a palavra para um discurso em que afirmou que provará sua "inocência" durante o processo - mas pediu respeito ao regimento da Casa.

O senador alegou que a escolha do presidente da comissão, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), poderia ser questionada como irregular porque não houve eleição em sessão secreta para o cargo. Demóstenes disse, porém, que não tomará nenhuma iniciativa para alegar nulidade do processo e que pretende rebater as acusações no mérito.

"Eu quero provar a minha inocência é no mérito, até agora não tive a oportunidade de me defender. Provarei que sou inocente", disse o senador.

Eleito para a presidência do conselho, Valadares foi escolhido por ser o senador mais antigo do colegiado. Tem 69 anos, completados na última sexta-feira. Mas, segundo Demóstenes, ele só poderia permanecer "interinamente" no cargo, apenas para presidir, num prazo de até cinco dias, a eleição do presidente. O prazo venceria na terça-feira. "O titular mais idoso somente assume a presidência interinamente para presidir a sessão de eleição da presidência", disse o senador.

Demóstenes informou que deixaria em seguida a reunião para não constranger a comissão, dizendo que se considerava notificado para responder à representação do PSOL. Ele considerou adequados os dez dias de prazo para fazer sua defesa e adiantou que a fará primeiro por escrito.

No momento em que Demóstenes iria deixar a sala, o presidente do conselho pediu que ele ficasse para ouvi-lo. Valadares disse que sua escolha, diante da dificuldade do PMDB, partido a quem caberia o cargo, de encontrar um nome, está amparada legalmente: "Todos os atos praticados por mim foram inteiramente observando os trâmites constitucionais e legais".

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