Demóstenes recebia grupo no gabinete

Relatório da Polícia Legislativa revela que integrantes do esquema de Cachoeira visitaram o senador; apenas Dadá esteve oito vezes no Senado

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2012 | 03h07

Um relatório da Polícia Legislativa complicou ainda mais a situação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO). O registro de entrada e saída do Senado mostrou que integrantes do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, frequentavam o gabinete do parlamentar.

No ano passado, foram registradas duas visitas de Gleyb Ferreira da Cruz, espécie de faz-tudo do grupo de Carlinhos Cachoeira, responsável de operações financeiras a contatos políticos. Em 2007 e 2008, foram oito visitas do araponga Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, braço direito de Cachoeira.

Além do gabinete, a Polícia Federal suspeita que o próprio apartamento funcional de Demóstenes era usado para encontros do grupo. Em conversas interceptadas durante a Operação Monte Carlo, Dadá relata uma reunião de integrantes do esquema no local.

Em telefonema de 17 minutos, gravado no dia 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza - segundo homem na hierarquia da organização, responsável pela administração contábil do grupo, conforme a investigação da PF - que está no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília.

Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado. "Está aonde", pergunta Lenine? "Aqui na 309, Bloco C, no estacionamento, na Sul, na Asa Sul", responde o araponga.

Segundo as transcrições do diálogo, também foram ao bloco Carlinhos Cachoeira, ao qual Dadá e outros integrantes do grupo se referem como "o homem"; Cláudio Dias de Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, citado no inquérito da operação como sócio do empresário em negócios ilegais; e o ex-vereador Wladimir Garcez, espécie de assessor do contraventor, encarregado de obter facilidades nas polícias Militar e Civil de Goiás. Os blocos C e G, onde mora Demóstenes, são conjugados, unidos e possuem um estacionamento comum.

Outra interceptação telefônica feita pela PF mostra uma conversa entre Gleyb e Demóstenes na qual, segundo os investigadores, os dois estariam combinando a entrega de um pacote com R$ 20 mil ao senador, a pedido de Cachoeira.

"Tô com um negocinho para entregar. Queria ver com o senhor onde é que a gente pode, onde quer que eu leve", diz o ajudante do contraventor. "É na SQS 309, Bloco G. Vem lá pelas três horas", orienta Demóstenes. O endereço fornecido é o da própria residência do parlamentar em Brasília.

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