Demóstenes não poderá mais recorrer para evitar demissão

Conselho do Ministério Público afirma que senador cassado e procurador de Goiás tenta só protelar o caso

RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h28

O ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) está impedido de apresentar novos embargos no processo em que poderá ser demitido do cargo de procurador de Justiça em Goiás. A decisão foi tomada ontem, em Brasília, pelo plenário do Conselho Nacional de Ministério Público (CNMP), ao rejeitar novos embargos oferecidos pela defesa do ex-senador goiano.

Investigado por envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, Demóstenes foi cassado por quebra de decoro no dia 11 de julho do ano passado.

De acordo com a decisão do conselho, anunciada pelo corregedor-geral Jefferson Coelho, os sucessivos embargos apresentados pelo ex-senador visaram, meramente, protelar o processo. "Os embargos dos embargos apenas contribuem para a morosidade e ineficácia do procedimento disciplinar", afirmou.

Afastamento. Como é integrante do Ministério Público de Goiás desde 1987, Demóstenes foi reintegrado no cargo de procurador de Justiça. Mesmo assim, um grupo de 82 promotores pediu seu afastamento e protocolou o pedido de Abertura de Processo Disciplinar no CNMP. A reportagem procurou o ex-senador em sua residência, em Goiânia, mas os porteiros informaram que ele estava ausente.

"Demóstenes Torres empregou o expediente dos embargos para retardar ao máximo o seu julgamento", disse ontem o promotor Robertson Mesquita, do MP de Goiás. "Assim, ele prorrogou sua permanência no cargo de procurador. Mas, a partir dessa decisão do CNMP, suas chances de evitar o julgamento são mínimas", afirmou.

O processo do CNMP foi distribuído no início da tarde de ontem para a conselheira Cláudia Chagas. Caberá a ela definir os próximos passos do processo.

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