Demóstenes ignora crise e critica pacote de Dilma

Dezessete dias depois de ter se recolhido ao silêncio diante das suspeitas de ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (GO) fez sua primeira manifestação pública. E foi em seu blog particular (www.demostenestorres.com.br), no qual postou, no sábado, um artigo com críticas ao pacote de ajuda para a indústria anunciado por Dilma Rousseff no dia 3.

JOÃO DOMINGOS/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2012 | 03h06

Demóstenes não faz nenhuma menção no blog às suspeitas de ligação com Cachoeira nem sobre o seu incerto futuro. Já sem partido (desfiliou-se do DEM para fugir à expulsão no mesmo dia 3 do pacote de Dilma), ele responderá a processo de cassação no Conselho de Ética do Senado.

Se o julgamento fosse hoje, não há dúvidas de que perderia o mandato. Mas ele tem deixado recados, transmitidos por seus advogados, de que fará uma defesa para convencer seus pares de que não está envolvido com Cachoeira, preso num presídio de segurança máxima, em Mossoró, desde o dia 29 de fevereiro.

No blog só é possível perceber algo da angústia do senador por causa dos últimos posts em seu Twitter, datados de 23 de março, quando apareceram as conversas gravadas pela Polícia Federal, que aumentaram ainda mais as suspeitas sobre a ligação dele com Carlinhos Cachoeira.

Sua derradeira manifestação diz: "O sofrimento provocado pelos seguidos ataques a (sic) minha honra é difícil de suportar, mas me amparo em Deus e na certeza de minha inocência".

Irônico. Uma semana depois dessa mensagem ele pediu desligamento do DEM. Agora volta à cena para criticar o plano do governo de ajuda à indústria. No texto de 38 linhas, sob o título Um Brasil Maior para os Pequenos, ironiza o pacote de medidas, qualificando-o como "mais um saco de bondades". Para ele, o governo faz "menos que o esperado, principalmente para quem sobrevive acossado pela concorrência nos próprios Brics."

Segundo o senador, o governo Dilma usa "a tática de tratar o essencial aos espasmos" e se esquece dos pequenos e microempresários. Com ares de quem se encontra no Olimpo e não no meio de uma crise que pode lhe custar a carreira política, ao final até faz um elogio à política do governo: "A redução de juros, que deveria ser generalizada e permanente, é uma das boas novidades, assim como um alívio no peso dos encargos trabalhistas, que esperam ser revistos com urgência."

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