Demóstenes discursa; só 5 ouvem

Senador prometeu, para um plenário vazio, subir à tribuna até o dia 11, quando será julgado pelos colegas

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h05

A primeira aparição do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) no plenário do Senado depois da decisão do Conselho de Ética do Senado, que recomendou a cassação de seu mandato por 15 votos a zero, teve pequena audiência e nenhum aparte.

Apenas cinco senadores acompanharam o discurso de Demóstenes, no qual ele citou os nomes de 44 senadores que no dia 6 de março o apartearam para lhe manifestar um voto de confiança, logo que começaram a circular notícias da ligação dele com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Perdão. Num plenário vazio, Demóstenes pediu perdão a todos os senadores. E prometeu fazer diariamente discursos no qual vai procurar dizer que é inocente, pelo menos até o dia 11 de julho, quando o processo de cassação a que o senador responde será decidido em plenário, em votação secreta.

"É de peito aberto que eu volto aqui pedindo perdão pelos erros", afirmou Demóstenes, num discurso de 26 minutos. Ele apelou para um discurso emocional, mas sem se emocionar.

Demóstenes afirmou que decidiu falar em plenário para provar a inocência dele diante do "incrível repertório de ofensas" a ele dirigidas. O senador justificou sua presença pelo fato de que no dia da votação não terá tempo suficiente para se explicar. "Há quatro meses vivo um calvário sem tréguas", disse o senador. "No tribunal das manchetes, já fui denunciado e condenado", pontuou.

Ele admitiu que foi amigo de Cachoeira, com quem conversava com frequência. Mas disse que nunca teve negócios legais ou ilegais com o contraventor.

"Eu não coloquei o meu mandato a serviço de Cachoeira, mas tão somente às forças produtivas do meu Estado (Goiás)", afirmou Demóstenes. O senador negou, por exemplo, ter procurado parlamentares para defender a liberação dos jogos de azar, uma das bandeiras do contraventor Carlos Augusto Ramos.

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