Demóstenes afirma que vai recorrer ao Supremo

Contrariando posição de seu advogado, ele quer contestar escutas que o ligam a Cachoeira

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

Quatro horas depois de autorizar seu advogado a dizer que não recorreria ao Supremo Tribunal Federal para recuperar o mandato, o ex-senador Demóstenes Torres mudou de ideia. Pelo microblog Twitter, ele anunciou que vai, sim, tentar recuperar o mandato no STF. E citou os motivos que, segundo ele, lhe dão razão: "Fui cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebrado o decoro." E emendou: "A esquerda me tirou o mandato, mas não a coragem."

Demóstenes atacou ainda o relator do processo, senador Humberto Costa (PT-PE): "Onde estão as provas dessas relações promíscuas? São as mesmas que o sr. sofreu no escândalo dos sanguessugas?" Demóstenes sempre argumentou que as provas de seu envolvimento com o esquema comandado por Carlinhos Cachoeira foram coletadas ilegalmente. Ele sempre alegou que, por ser senador, as escutas telefônicas na qual aparece falando com o contraventor precisariam ser autorizadas pelo STF.

Ao Estado, seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Braga, o Kakay, disse que Demóstenes está livre para tomar sua decisão, mas não vai apoiá-lo. "Eu cumpri o meu papel. Para mim, o processo terminou hoje. A decisão do Senado é soberana." Logo depois da cassação, Kakay havia dito que seu cliente entendia que não cabia recurso.

Naquele momento, abatido e indiferente aos apelos dos jornalistas, Demóstenes saiu do plenário protegido por seguranças e sem dar entrevista. Tomou o veículo oficial a que ainda tinha direito. Em vez de rumar para casa, voltou ao gabinete para se despedir dos funcionários.

Demóstenes chamou cerca de 20 servidores de seu gabinete de Brasília e do escritório de apoio de Goiânia, que foram à capital acompanhar a sessão de votação, para conversar na sua sala. Segundo uma das presentes, ele mais ouviu do que falou. "Bola para frente, a luta continua", despediu-se o ex-senador, saindo de carro pela garagem privativa dos parlamentares.

Procurador. O senador cassado, segundo Kakay, pretende retomar as atividades de procurador em Goiás. Ele também vai se dedicar à defesa no inquérito aberto no STF, em que é acusado de integrar o esquema de Cachoeira. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou que vai pedir a transferência do inquérito para uma instância inferior. Se o inquérito em que ele é investigado contiver crime federal, o caso cairá no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Se for acusado em delitos comuns, como o de ligação com quadrilha de jogos ilegais, o processo correrá no Tribunal de Justiça de Goiás. / COLABORARAM RICARDO BRITO e MARIÂNGELA GALLUCCI

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