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Demonstração de força

O PMDB levou o governo às cordas e o PMDB livrou o governo de uma derrota histórica. Essa pode ser, abstraídos os detalhes, uma síntese política das 41 horas que representaram a mais longa sessão da história do Congresso Nacional, que acabou por aprovar a Medida Provisória modernizadora do setor portuário brasileiro.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h06

Os que testemunharam as movimentações de véspera nos bastidores percebiam desde então que não havia disposição do PMDB em impor uma derrota integral ao Planalto, mas, sim, em promover uma demonstração de força suficiente para exibir a insatisfação com o que já se tornou diagnóstico corrente - a incapacidade de articulação política do governo.

As críticas estão centradas nas ministras Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, mas endereçadas à presidente Dilma Rousseff, de quem emanam as diretrizes, margens de negociação e limites para concessões. E Dilma o faz de forma a deixar claro que é dela a palavra final, o que tornaria muito mais grave para seu governo uma derrota nos moldes da que se desenhou na semana passada.

A desenvoltura do líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), em nenhum momento pareceu abalar a confiança do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (RN), seu antecessor no cargo, que já havia sinalizado ao Planalto, na véspera, que a batalha seria longa, mas que a MP chegaria ao Senado a tempo de sua aprovação,

E fez a previsão completa ao acrescentar que não passaria na forma desejada pela presidente da República, mas passaria. E assim se deu, com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), capitalizando a parte que lhe cabia na estratégia, registrando-se como aquele que evitou a derrota pessoal de Dilma, fechando uma bem sucedida rebelião administrada.

Para além do PMDB, o vice-presidente Michel Temer garantiu os votos dos 12 senadores do bloco PTB-PR-PSC, no Senado.

Como se vê, o desgaste ficou com as ministras responsáveis pelas negociações, sobre as quais aumentará a pressão da base - tanto de PMDB quanto do PT -, este último sonhando com a antecipação da saída de Gleisi Hofmann, prevista para 2014, para disputar o governo do Paraná. Quer ali o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT-SP).

De resto, o episódio compromete o fôlego do governo para a aprovação do Código de Mineração, alvo do efeito negativo dos prováveis vetos presidenciais a pontos da MP dos Portos negociados para viabilizar sua aprovação. Já parece mais concessivo ao admitir agora a proposta na forma de projeto de lei, que reduz a pressão sobre os parlamentares.

Saia justa

O vice-presidente Michel Temer espera a presidente Dilma Rousseff, para jantar no Jaburu, terça-feira, com os governadores e vices do PMDB, incluindo Sérgio Cabral (RJ) e seu vice e candidato à sucessão, Luiz Fernando Pezão. No cardápio, o impasse no Rio com a candidatura do petista Lindbergh Farias.

Saúde em baixa

Aloizio Mercadante é mais um que defende a candidatura do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao governo paulista, em vez do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Mercadante acha que o PT vence o PSDB no debate da segurança pública e perde no da Saúde. Lula, porém, prefere Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo.

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