'Democracia é inviável com 30 partidos'

Na direção contrária à de Aécio, que tenta barrar no Congresso projeto que limita criação de siglas, Alckmin faz crítica ao atual sistema

RICARDO BRANDT, CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h03

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que "não há democracia no mundo que funcione com 30 partidos" e criticou o sistema político brasileiro. A declaração contraria a posição do também tucano Aécio Neves, provável candidato a presidente, que tem atuado para barrar no Congresso uma iniciativa que limita o funcionamento dos pequenos partidos.

Aécio e a maioria dos líderes do PSDB se posicionaram contra o projeto, já aprovado na Câmara, que inibe a criação de novas legendas, ao restringir sua participação na divisão dos recursos do Fundo Partidário e do tempo de propaganda eleitoral. A proposta, apoiada pelos partidos governistas e pelo DEM, também reduz o acesso à televisão dos partidos já formados e com bancadas pequenas. A tramitação do projeto foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal.

"O modelo político brasileiro é muito ruim", afirmou Alckmin, ao explicar sua declarações dada no início da semana, em um evento sobre transparência, de que faltaria guilhotina no país "para contar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro". O governador procurou se explicar durante encontro de administradores de Santas Casas e hospitais beneficentes do Estado, em Campinas.

"Quis dizer que nós não podemos nos acomodar", afirmou, "Santo Agostinho dizia: 'prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me corrompem'. Então precisamos ter essa capacidade de nos indignar frente ao que está errado, corrigir as coisas."

Ao lado do chefe da Casa Civil de seu governo, Edson Aparecido, citado na Operação Fratelli, que apura esquema de fraudes em contratos de asfalto, Alckmin defendeu maior transparência de governo e afirmou que "o que estimula a atividade delituosa é a impunidade". "É preciso ter mais transparência, controle sobre os órgãos de Estado. E, de outro lado, Judiciário mais rápido. É preciso que o Brasil passe por um conjunto de reformas estruturantes."

O governador citou a reforma política como uma dessas reformas a serem feitas. "Falei de forma geral. O sistema político brasileiro está errado. Tem casos de enriquecimento nítido, o sujeito entra na política e fica milionário", afirmou.

Saúde. Convidado a participar do 22º congresso de dirigentes de Santas Casas e hospitais beneficentes do Estado, Alckmin anunciou a liberação de recursos, uma linha de crédito para amenizar a dívida de quase R$ 15 bilhões das instituições com os bancos. E aproveitou para atacar o governo federal.

"A dívida das Santas Casas é resultado de atender o SUS (Sistema Único de Saúde). A tabela é muito baixa. A cada procedimento se acumula um déficit", disse Alckmin.

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