Helvio Romero/AE - 04.05.2011
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Demitido, ex-diretor do Dnit traz um pote cheio de mágoa

Luiz Antônio Pagot diz que trabalhava duro e foi tratado com falta de respeito pela presidente Dilma durante crise no Ministério dos Transportes

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h01

De quarentena enquanto aguarda a chegada de dezembro para voltar à iniciativa privada, o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot não esconde as mágoas em relação à presidente Dilma Rousseff. "Claro que guardo muita mágoa da presidente. Fiz tudo por ela e um pouco mais. E fui tratado como a maior falta de respeito", queixou-se Pagot ao Estado.

Ele afirmou que trabalhava das 7 horas às 22 horas, todos os dias, e ainda aproveitava os fins de semana para fiscalizar as obras do Dnit.

"Fomos nós que ajudamos a consolidar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Tivemos, entre todos os órgãos do governo, o melhor desempenho no PAC, reconhecido pela presidente. Numa ação intempestiva e mal assessorada, acabamos todos afastados", disse Pagot.

O ex-diretor do Dnit e mais três integrantes da cúpula do setor de transportes do governo foram afastados no dia 4 de julho, mesmo dia em que a revista Veja noticiou a ocorrência de irregularidades no Dnit e a participação do PR na formação de um caixa 2 originado de cobrança de propina de empresas que prestam serviços na infraestrutura de transportes. Pagot, no entanto, sempre negou qualquer irregularidade.

Ele chegou a desafiar o Congresso a abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias.

Depois do afastamento de Pagot, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram com Dilma, na tentativa de fazê-la recuar. Mas ela bateu o pé e não aceitou as ponderações feitas.

Com Pagot, caíram também o ministro Alfredo Nascimento e outros 25 dirigentes do setor de transportes, a maior parte ligada ao PR. "O PR foi catapultado do governo. Agora, ficam querendo que o partido volte. Acho que o PR deveria exigir uma conversa institucional com o governo, saber o que eles querem, e ver se ainda existe alguma possibilidade de resolver essa crise de desconfiança", opinou Pagot.

Logo depois do afastamento, ele pediu férias. Pressionado, não resistiu. No dia 25 de julho mandou uma carta ao ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, falando de sua decisão. E entregou uma cópia do documento à Presidência da República.

Em dezembro, quando acabar a quarentena, Pagot passará a atuar na iniciativa privada. Disse que tem três opções, todas na área de hidrovias: a Tietê-Paraná, a Paraguai-Paraná e a Tapajós-Amazonas. "Por enquanto, estou visando a esses locais, fazendo relatórios e levantamentos. Relatórios sérios, com dados, e pesquisas locais."

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