DEM vai pedir afastamento de Agnelo no DF

O DEM do Distrito Federal vai pedir o impeachment do governador Agnelo Queiroz (PT) por suspeita de ligação com o desvio de recursos do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, pasta que comandou antes de Orlando Silva. O anúncio foi feito ontem pelo líder do partido no Senado, Demóstenes Torres (GO).

ROSA COSTA, VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h06

"Nosso partido, que expulsou aqueles que não honraram a sua bandeira, inclusive o único governador eleito em 2006, vai atrás dos outros", disse, referindo-se ao escândalo da Caixa de Pandora, de 2009, investigado pela Polícia Federal, que levou o partido a expulsar o governador José Roberto Arruda, que depois foi cassado. "Não podemos tolerar que o PT, que naquela época fez um carnaval, se omita diante de provas consistentes quanto à participação do governador no escândalo em que não faltam testemunhas sobre sua participação."

Para Demóstenes, o PT - legenda à qual Agnelo se filiou depois de se desligar do PC do B - tem duas alternativas: rever sua posição de apoio ao governador do DF ou "se assumir de vez como o partido da boquinha". "Os petistas de brio, certamente, discordam da bandalheira. É necessário conclamá-los à batalha pelo resgate da moralidade no DF, bandeira essa que o partido tanto empunhou nas administrações anteriores", afirmou.

Reação. Sob pressão, Agnelo exonerou 65 delegados - 57 deles chefes de departamento - e 7 diretores de área da Polícia Civil, inclusive a diretora-geral, Mailini Alvarenga. As demissões, publicadas ontem no Diário Oficial, ocorrem depois do vazamento de conversas telefônicas entre Agnelo Queiroz e o policial militar João Dias, delator do esquema de desvio de recursos que derrubou o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, na semana passada.

As escutas revelam intimidade entre o governador e o PM, a quem Queiroz trata por "meu mestre". Nas gravações, ele se dispõe a ajudá-lo a maquiar a prestação de contas de convênios, no valor de R$ 3,4 milhões, que duas ONGs dele obtiveram do programa Segundo Tempo.

João Dias teve as contas rejeitadas e o ministério cobrava a devolução do dinheiro. Por meio de nota, o governador tentou minimizar a crise, alegando que não se trata de demissão em massa, mas de "reacomodações" naturais em razão da mudança na cúpula.

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