DEM quer Demóstenes fora do partido por cometer 'reiterados desvios da ética'

O DEM abre hoje processo de expulsão contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), flagrado em conversas telefônicas defendendo interesses de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que comanda uma rede de jogos ilegais no País, por "reiterados desvios da ética". "O senador está em xeque. A classe política está em xeque, mas quem mais está em xeque é o DEM, que é um partido que não aceita desvios", disse ontem o senador José Agripino Maia (RN), presidente e líder da legenda no Senado.

RICARDO BRITTO, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2012 | 03h05

A decisão foi tomada em reunião ontem à noite na casa de Agripino, que contou com a presença do líder na Câmara, ACM Neto (BA), do deputado Ronaldo Caiado (GO) e do vice-governador de Goiás, José Eliton. Diante desse cenário, Demóstenes avalia se apresenta hoje pedido de desfiliação da sigla.

Desde a manhã de ontem, os caciques movimentavam-se para ter uma conversa "definitiva" com o senador até a noite. Ficou acertado que Demóstenes contaria sua versão a Agripino, ao líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), e ao presidente da sigla em Goiás, deputado Ronaldo Caiado.

"Nós precisamos ter esta conversa, que precisa ser definitiva", afirmou Agripino ao Estado, no início da tarde. A cúpula do DEM havia dado a Demóstenes um ultimato até hoje para se explicar. Mas, diante das novas denúncias, a cúpula quis antecipar o encontro. Demóstenes não apareceu e Agripino sentenciou: "O DEM não quer mais esperar".

Demóstenes passou o dia em casa, reunido com advogados e com Caiado, que tem feito o meio de campo entre ele e a cúpula da legenda. O advogado do senador, Antonio Carlos de Almeida Castro, disse que o parlamentar não se reuniu ontem à noite com a cúpula do partido porque não tinha analisado ainda os autos do processo.

Há, ainda, a expectativa em torno de uma renúncia ao mandato. O que pesa para Demóstenes adiar a decisão é o foro privilegiado a parlamentares. Como senador, ele só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Ética. Em outra frente, cinco senadores pediram pressa à Casa para convocar o Conselho de Ética. Na semana passada, foi acertado que o colegiado só se reuniria na próxima terça-feira para eleger o novo presidente. Mas as novas denúncias fizeram com que os parlamentares cobrassem um encontro nesta semana.

"Este julgamento é inevitável. A instituição é mais importante do que as pessoas. Nós somos transitórios", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). O tucano disse que vai procurar o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), para tentar acelerar a eleição no conselho.

A presidência do Conselho de Ética está vaga desde setembro, quando o senador João Alberto (PMDB-MA) deixou a Casa para ocupar um cargo no governo de Roseana Sarney. O presidente interino, Jayme Campos (MT), correligionário de Demóstenes, declarou-se impedido para conduzir o processo. Cabe ao PMDB indicar o próximo presidente. / COLABOROU VANNILDO MENDES

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