DEM já discute expulsar Demóstenes

Parlamentares temem efeito das denúncias contra ex-líder do partido nas eleições de outubro; cúpula da sigla deu ultimato a senador

RICARDO BRITO, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2012 | 03h05

Preocupados com o impacto eleitoral do escândalo envolvendo o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), parlamentares democratas já articulam a expulsão do ex-líder do partido. As denúncias que envolvem Demóstenes, sob ameaça de responder a processo de quebra de decoro parlamentar, acenderam a luz amarela no projeto político do partido para as eleições municipais. Reservadamente, caciques estão receosos de que as acusações que pesam contra o senador respinguem nas disputas a prefeito das principais capitais em outubro.

Em conversas, a cúpula do partido deu-lhe um ultimato: ou explica de forma convincente até terça-feira seu real envolvimento com o empresário do ramo de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, ou responderá a um processo de expulsão. A cobrança foi feita pelo presidente do partido, senador José Agripino (RN), o líder da bancada na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), e o deputado Ronaldo Caiado (GO).

ACM Neto admitiu ontem que a situação de Demóstenes se "agravou" nos dois últimos dias, após a divulgação de novos grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal que revelam uma relação próxima do parlamentar com Cachoeira.

O DEM lançou pré-candidaturas do líder da bancada na Câmara, o deputado ACM Neto, em Salvador (BA), e do deputado federal e ex-presidente da sigla, Rodrigo Maia, no Rio de Janeiro. O partido quer ainda ter direito a escolher, na disputa à Prefeitura paulistana, o vice da chapa comandada pelo tucano José Serra.

Até o mês passado, o próprio Demóstenes quase fez parte dessa estratégia. O senador cogitava disputar a Prefeitura de Goiânia. Desistiu em prol de um objetivo maior: a disputa em 2014 ao governo do Estado ou mesmo à Presidência da República. Agora, corre o risco de sair do partido e perder o mandato.

Reviravolta. O lançamento de candidaturas competitivas do DEM tinha como objetivo recuperar o terreno e o prestígio que o partido perdeu nos últimos três anos, após dois acontecimentos: a criação do PSD no ano passado, partido que o desidratou, e o escândalo do "mensalão do DEM", que levou à prisão o ex-governador do DF José Roberto Arruda.

ACM Neto não acredita que as acusações envolvendo Demóstenes possam atrapalhar os planos eleitorais do partido. "É um caso isolado em Goiás", disse.

Defesa. Demóstenes corre contra o tempo. Seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, só teve acesso a todo o inquérito contra o senador no Supremo Tribunal Federal (STF) ontem, no início da noite. Ele afirmou que, nas conversas que teve com seu cliente por telefone ao longo do dia de ontem, o parlamentar não lhe disse se vai deixar o DEM.

Nos bastidores, porém, a cúpula partidária, especialmente os caciques-candidatos, tem pressionado Demóstenes a deixar a legenda por vontade própria. Querem assim evitar que as denúncias respinguem na legenda. Acreditam que o senador não tem mais condições de esclarecer o relacionamento que teve com Carlinhos Cachoeira.

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