Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

DEM, PSD, Podemos, PR e PPS liberam filiados; PDT oficializa apoio crítico a Haddad

Enquanto tendência majoritária no DEM é apoiar Bolsonaro, PR deve se dividir entre os dois candidatos; SD tende a apoiar Fernando Haddad, apesar da neutralidade

Felipe Frazão, Camila Turtelli, Mariana Haubert e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 12h52
Atualizado 10 Outubro 2018 | 18h38

BRASÍLIA - O DEM, o PSD, o PR,o Podemos, o Solidariedade e o PPS optaram pela neutralidade e liberaram seus filiados para se posicionarem ou não por candidatos neste segundo turno. Durante o primeiro turno, DEM e PR estavam na coligação com o ex-governador tucano, Geraldo Alckmin, e o Podemos lançou candidato próprio ao Planalto, Alvaro Dias. O PDT oficializou o apoio críticoFernando Haddad.

O presidente nacional do Democratas (DEM), ACM Neto, divulgou nota oficial nesta quarta-feira, 10, em que o partido libera seus filiados para apoiar no segundo turno das eleições 2018 o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, ou o do PT. Apesar disso, é majoritária entre os líderes do DEM, adversário histórico do PT, a intenção de votar e fazer campanha por Bolsonaro. O PR também liberou seus filiados e o partido está dividido. A tendência é que a bancada no Nordeste apoie Haddad. 

"Ficam, assim, os nossos líderes e militantes de todo Brasil liberados para, seguindo as suas convicções, apresentarem a sua manifestação de voto neste segundo turno", diz a nota assinada por Neto, prefeito de Salvador (BA).

A decisão anunciada por ACM Neto, na prática, desobriga os líderes do DEM desconfortáveis com Bolsonaro de fazerem campanha abertamente pelo deputado e ex-capitão do Exército. Outros membros da legenda, já preparam o embarque na campanha do capitão reformado. 

O governador eleito de Goiás, Ronaldo Caiado, deve visitar Bolsonaro ainda hoje em sua casa na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, na tarde desta quarta-feira, 10. Um dos interlocutores da campanha disse que o objetivo do encontro é “manifestar o apoio incondicional dele ao Jair Bolsonaro”. Em entrevista na casa do empresário Paulo Marinho nesta terça-feira, 9, onde gravou programas eleitorais, Bolsonaro disse que o DEM teria manifestado vontade de apoia-lo, mas que nada havia sido oficializado até então.

Podemos decidiu não se posicionar

O Podemos, partido do candidato à Presidência Alvaro Dias, derrotado no primeiro turno, também decidiu pela neutralidade na disputa entre Haddad e Bolsonaro. Detentor de 859 mil votos, o senador do Paraná disse, em vídeo divulgado nas redes sociais, que "jamais praticaria um ato de incorerência" admitindo "a hipótese de apoiar o PT no segundo turno". Alvaro fez duras críticas à legenda durante a campanha.

Por meio de nota, o Podemos informou que sua Executiva Nacional decidiu pelo "posicionamento institucional de neutralidade no segundo turno das eleições" e "liberação da militância, líderes políticos e representantes para apoio aos presidenciáveis."

Solidariedade se manterá neutro

O Solidariedade, partido do Centrão presidido pelo deputado Paulo Pereira, oficializou nesta quarta-feira que vai se manter neutro na disputa pelo segundo turno das eleições nacionais.

Segundo Paulinho da Força, que apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno, a executiva da sigla vai fazer uma "defesa intransigente da democracia e da Constituição" nesse segundo turno. "Achamos que o Brasil está dividido e que isso não é bom para o País. Então optamos pela independência e por liberar os dirigentes a apoiar quem quiserem."

Apesar da neutralidade, a maioria do partido deve apoiar Fernando Haddad (PT) nos Estados. Mais cedo, a Força Sindical, principal base do Solidariedade, acompanhou outras seis centrais e declarou apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT). Segundo elas, Bolsonaro tem um programa contra os trabalhadores.

Com o anúncio, o Solidariedade seguiu tendência observada nos demais partidos do Centrão pela neutralidade no segundo turno. Entre os cinco partidos, apenas o PRB tomou lado no segundo turno, apoiando Jair Bolsonaro (PSL). 

PR dividido

 "PR decidiu liberar todos os quadros para seguir com Bolsonaro ou Haddad", disse o líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), sobre os candidatos do PSL e PT que concorrem ao Palácio do Planalto. "Em cada Estado, cada parlamentar deve seguir quem achar melhor", completou. Ele afirmou que um dos motivos para essa decisão é justamente a forte polarização ente os candidatos.

"Temos aí duas candidaturas em campos completamente opostos", disse.

Ele afirmou ainda que não há uma hegemonia no partido, embora tenha indicado que os quadros do Nordeste tendem a seguir o PT. "Temos parlamentares que apoiam Bolsonaro e Haddad como é meu caso".

No Rio, o candidato do DEM ao governo estadual, ex-prefeito Eduardo Paes, disputa o segundo turno com o ex-juiz Wilson Witzel, do PSC, mas aliado de Bolsonaro. O embate tem potencial de influenciar o peso político do atual presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), na tentativa de se manter no comando da Casa em um eventual governo Bolsonaro. O PSL, segunda maior bancada eleita com 52 deputados, atrás dos 56 do PT, estuda reivindicar o comando.

A liberação de filiados, sobretudo os políticos com mandato, é a postura da direção de todos os partidos do Centrão, como mostrou nesta terça-feira o Estadão/Broadcast. O bloco que comanda a Câmara dos Deputados, formando por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade, apoiava Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. O tucano também adotou neutralidade.

Assim como o DEM, o PRB vai se engajar mais por Bolsonaro. Já o Solidariedade, que anuncia hoje sua posição oficial, tem maioria pró-Haddad. A Força Sindical, braço do partido, e outras centrais anunciam adesão ao petista à tarde.

PPS libera filiados

A Executiva Nacional do PPS decidiu, nesta quarta-feira, liberar seus filiados para que escolham quem apoiarão na disputa do segundo turno da corrida presidencial. A sigla também decidiu que fará oposição ao próximo governo.

Apesar de haver integrantes que defendiam uma formalização de apoio a Haddad, a sigla avaliou que seria muito difícil se posicionar desta forma agora porque sempre fez oposição aos governos petistas.

"Temos um partido que provocou tudo isso que estamos vivendo por conta do seu desmantelo, da corrupção implantada quando no governo, e por outro lado temos aquele que sempre foi um enaltecedor da ditadura, tortura e torturadores. isso não corresponde em nada aos nossos princípios e valores", explicou o presidente da sigla, deputado Roberto Freire (PPS-SP).

Freire afirmou considerar que tanto as candidaturas de Bolsonaro quanto a de Haddad defendem ditaduras, não respeitam práticas democráticas e colocam em risco liberdades já garantidas ao cidadão.

"Os dois projetos são autoritários, não respeitam a democracia e, portanto, colocam em risco o Estado Democrático de Direito, e o partido vai afirmar para a sociedade o que é de fundamental nesse futuro governo seja ele quem for", disse Freire, que exemplificou como liberdades em risco a de expressão e de imprensa.

PSD opta por neutralidade

Partido Social Democrático (PSD)do ministro de Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab, optou pela neutralidade no segundo turno das eleições presidenciais. Após consultas internas, a legenda, considerando os diferentes cenários locais, optou por liberar seus filiados para declarar apoio individualmente. No primeiro turno, o partido apoiou o tucano Geraldo Alckmin

"O PSD reafirma ainda seu compromisso, como um partido de centro, de continuar defendendo os interesses do País e da democracia, bem como de seus Princípios e Valores, seja no Poder Executivo, nos Estados ou nos municípios em que atua, seja nos diversos níveis do Poder Legislativo nos quais tem representantes eleitos", diz em nota o presidente do partido, Alfredo Cotait Neto. 

 

Quem já definiu apoio

Na terça, o PSDB, o partido Novo e o PP informaram que não devem apoiar nenhum candidato no segundo turno da eleição presidencial. O PTB fechou apoio ao capitão reformado do Exército e o PSB apoiará o ex-prefeito de São Paulo. O PRB, o PR e o DEM decidiram liberar suas bancadas. O chamado Centrão rachou e se dividiu. 

"Não apoiaremos nem o PT nem o candidato Bolsonaro. O PSDB decidiu liberar seus militantes e seus líderes", disse o presidente da legenda, Geraldo Alckmin, após reunião na sede do partido em Brasília. O Novo afirmou que não vai apoiar ninguém, mas se classificou, em nota, como "absolutamente contrário ao PT". Nessas eleições, a sigla elegeu oito deputados federais, onze estaduais e um distrital

O PP comunicou que terá "absoluta isenção e neutralidade" no segundo turno. "O eleitor quer tomar sua decisão sem que qualquer outro aspecto, que não os candidatos, sejam levados em consideração como critério de escolha", dizia a nota publicada na terça. O partido elegeu 37 deputados federais e cinco senadores. 

Na segunda, o presidente do PDTCarlos Lupi, disse que o partido deveria anunciar o que qualificou como "apoio crítico" à candidatura de Fernando Haddad (PT). No mesmo dia, a executiva nacional do PSOL oficializou apoio ao petista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.