DEM avisa que apoia ex-governador se tiver vice

Cotado para compor chapa com Serra é o secretário Rodrigo Garcia; cúpula do Democratas condiciona união em SP a acerto político em Salvador

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h07

O DEM resolveu fechar o cerco e decidiu que a indicação do candidato a vice na chapa do pré-candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, será a condição para fechar a aliança em São Paulo. A ação foi uma resposta aos tucanos que fizeram chegar à cúpula do DEM nesta semana a informação de que Serra não aceitaria "vetos" a quem escolher como vice.

Em café da manhã ontem na casa do presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), a cúpula do partido resolveu que, sem a indicação do candidato a vice-prefeito e sem o apoio do PSDB à candidatura de ACM Neto à Prefeitura de Salvador, o partido não se aliará a Serra.

O DEM trabalha com o nome do secretário estadual Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Social) para vice. Garcia, ACM Neto, o presidente do diretório paulistano, Alexandre de Moraes, e o deputado Ronaldo Caiado (GO) estiveram na reunião. Caiado chegou a dizer que o DEM não precisaria apoiar Serra. O PMDB, do pré-candidato Gabriel Chalita, é tido como uma alternativa.

Agripino já havia se encontrado na segunda-feira com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em São Paulo. Pediu que os tucanos cedessem nas negociações em favor do DEM e que fossem solidários diante da fragilidade da sigla desde a perda de quadros para o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, em 2011.

Salvador é prioridade, já que é a capital com chances de vitória. No dia 13, haverá reunião do diretório baiano do PSDB em que deve ser chancelado o apoio ao DEM. Por enquanto, o pré-candidato do PSDB, Antonio Imbassahy, resiste em ceder para Neto.

Dono do quinto tempo de TV na propaganda gratuita, o DEM alega que a indicação do vice foi acordada com o governador Geraldo Alckmin no ano passado.

Ocorre que as conversas começaram antes da definição da candidatura de Serra. O tucano não descarta a possibilidade de indicar um vice ligado a Kassab, desafeto do DEM. Nesta semana, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)conversou com o DEM e falou que o posto de vice deveria ficar livre para as negociações com os demais aliados.

Serristas estão em campanha pelo secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), ex-PSDB. Eles veem o DEM como aliado de Aécio Neves, presidenciável do PSDB. Já os democratas vetam Schneider, apesar de os tucanos dizerem que a negociação sobre a aliança não passa apenas pela vice, mas também pela participação no governo. Embora Serra diga que não renunciará, como fez em 2006, o cargo de vice é pleiteado porque, nos bastidores, os aliados não descartam a possibilidade.

O timing de PSDB e DEM divergem. Tucanos pretendem esperar posição da Justiça sobre pedido do PSD para ampliar o tempo na propaganda eleitoral. Se ganhar, cresce o cacife de Schneider. O DEM quer uma solução rápida pois negocia com o PMDB. No PSD, a avaliação é que seria mais fácil os tucanos escolherem uma chapa puro-sangue do que aceitar vice do DEM. /COLABOROU PAULO SALDAÑA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.