Reprodução/Facebook Mônica Bahia
Reprodução/Facebook Mônica Bahia

DEM anuncia integrante do MBL como vice de candidato ao governo baiano

Mônica Bahia, do PSDB, vai estar na chapa com o democrata Zé Ronaldo nas eleições 2018

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2018 | 17h55

SALVADOR - Em um movimento para reforçar a imagem de oposição ao PT na Bahia, o DEM oficializou nesta sexta-feira, 3, a candidatura do ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo ao governo do Estado nas eleições 2018 e anunciou a médica Mônica Bahia (PSDB) como candidata a vice-governador na chapa. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), o nome de Mônica surpreendeu, pois não vinha sendo ventilado publicamente.

Na convenção, marcada por ataques ao atual governador do Estado Rui Costa e ao Partido dos Trabalhadores, a médica entoou gritos de "Fora PT", puxando um longo coro dos militantes que lotaram o centro de convenções de um hotel na área comercial da capital baiana. "Eu acho que o DEM já tem um pouco desse voto anti-PT. Mas nós do MBL estamos nesse embate contra o PT e contra a corrupção. E o governo que se mostrou mais corrupto até hoje foi o do PT", afirmou Mônica Bahia em seu discurso.

Derrotado pelo PT nas últimas três eleições para governador da Bahia, o DEM tentará, nas eleições de 2018, retomar a hegemonia da política baiana perdida em 2006, quando ainda se chamava PFL e foi superado pelo petista Jaques Wagner. Dali em diante, o DEM perderia outras duas eleições para o PT -- sempre no primeiro turno.

A legenda que deu origem ao Democratas teve o domínio do Estado durante décadas, sob o comando do ex-senador e ex-ministro Antônio Carlos Magalhães, avô do atual presidente nacional da legenda, ACM Neto. No entanto, viu sua hegemonia ruir após morte do cacique, em 2007.

"Eu quero dizer a Rui Costa que eu não sou candidato, mas escolhi alguém que vai lhe derrotar, porque José Ronaldo será eleito governador da Bahia. Todos sabem que o governador passou quatro anos me pirraçando. Mas nós vamos acabar com essa historia de que o Nordeste é do PT, de que o Nordeste é vermelho", afirmou ACM Neto.

Durante seu discurso no encontro, em tom inflamado, ele disse que Rui Costa "tem dor de cotovelo" da sua gestão à frente de Salvador e chorou ao referir-se ao legado do avô.

Conhecido pelo perfil calmo e pela fala pausada, José Ronaldo também discursou em tom duro contra o PT. Explorando a imagem de ficha limpa e sertanejo, o ex-prefeito de Feira de Santana por quatro mandatos evocou, sem citar nomes, investigações sobre o ex-governador e ex-ministro Jaques Wagner, pré-candidato ao Senado na chapa governista.

"Jamais serei confundido com dinheiro da (Arena) Fonte Nova. Jamais serei confundido com relógios caros encontrados em casa", disse, citando indiretamente a Operação Cartão Vermelho, que investiga possível desvio de dinheiro na construção da Arena Fonte Nova, estádio construído para a Copa do Mundo. Wagner é suspeito de receber cerca de R$ 90 milhões em propina, de acordo com a Polícia Federal.

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