'Deltaduto' faz Perillo anunciar auditoria em contratos

Sob suspeita de se beneficiar de esquema, governador comunica apuração de licitações e acordos com a Delta

ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h06

Beneficiado pelo "deltaduto", o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou ontem uma auditoria nas licitações e contratos celebrados entre o Estado e a Delta Construções. A campanha de Perillo, como revelou ontem o Estado, foi irrigada pelo circuito financeiro de empresas de fachada que serviam para redirecionar para políticos e laranjas, conforme aponta a Polícia Federal, recursos da Delta.

Segundo Perillo, o governo vai apresentar o relatório com a conclusão dos trabalhos em 30 dias. Caso sejam identificadas irregularidades, a Delta terá 15 dias para apresentar sua defesa. O governador negou ainda qualquer relação entre as doações de sua campanha e as empresas citadas nas investigações. "As doações feitas foram todas oficiais e legais."

Na lista de beneficiários das empresas investigadas pela PF consta ainda a Produtos Alimentícios Orlândia, que doou R$ 13 mil para o deputado Rubens Otoni (PT). O petista aparece em vídeo conversando com Cachoeira sobre doações de campanha.

O "deltaduto" serviu de ambiente de transações financeiras que envolveram outros empresários locais, vários com negócios com o governo de Goiás. Um mês depois da eleição, o tucano recebeu R$ 400 mil de Valterci de Melo, diretor do Laboratório Teuto, uma das maiores empresas do Estado.

Melo abasteceu a conta da Brava Construções e Terraplanagem, ligada à organização criminosa, com R$ 55,6 mil, ao lado da Delta e da Alberto e Pantoja, outra empresa de fachada. Segundo a PF, a Delta foi responsável por 98% dos créditos da Brava, que movimentou R$ 13,2 milhões entre 2010 e 2011.

Perillo também recebeu R$ 450 mil da Belcar Veículos. A doação foi feita dez dias depois de o governador ganhar a eleição. Segundo o Portal da Transparência do governo de Goiás, a Belcar recebeu R$ 1,4 milhão em 2011. Em 2010, a concessionária de carros recebeu apenas R$ 1,1 mil. A Belcar aparece em uma das planilhas da PF como destinatária de R$ 16,5 mil da Mapa Construtora, do irmão de Cachoeira, Paulo Roberto de Almeida Ramos, e irrigada com recursos da Pantoja. Segundo a PF, a empresa de Paulo Roberto movimentou R$ 1,6 milhão em 2010 e 2011.

A Belcar negou qualquer relação entre a doação para Perillo e a transação com a Mapa. Segundo a diretora administrativa da empresa, Shirlei Leal, os R$ 16,5 mil pagos à Belcar pela Mapa são referentes à compra de um veículo pela empresa em 2010. "Não tem qualquer relação com a doação. Ajudamos ele porque o tio dele pediu." Procurados, o Laboratório Teuto e Valterci de Melo não responderam ao Estado.

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