Delta suspende repasse a obras do Maracanã

Empresa pivô do caso Cachoeira não consegue financiamentos e deixa consórcio em 1º de maio

IRANY TEREZA , ALFREDO JUNQUEIRA / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h04

Em dificuldades para obter financiamento bancário para suas operações, a Delta Construções suspendeu os aportes para a reforma do Maracanã. Esta semana, a empresa deixou de repassar mais de R$ 6 milhões - R$ 4,1 milhões na segunda-feira e R$ 2 milhões ontem - proporcionais à sua participação no consórcio. Esses recursos seriam usados no pagamento a fornecedores e despesas operacionais. No dia 1º de maio a construtora do empresário Fernando Soares Cavendish vai oficializar a saída do consórcio responsável pela reforma do estádio.

Será a primeira baixa contabilizada pela empresa desde que começaram a surgir denúncias de envolvimento da construtora no financiamento do esquema de corrupção capitaneado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Atraso. Iniciada em setembro de 2010, a reforma do Maracanã está sendo tocada pelo consórcio formado por Odebrecht Infraestrutura (49%), Andrade Gutierrez (21%) e Delta (30%). Com prazo de conclusão previsto para fevereiro de 2013, a obra deve atrasar, mas ainda não a ponto de comprometer a utilização do estádio na Copa das Confederações.

O orçamento original de R$ 700 milhões foi elevado, em junho do ano passado, para R$ 931 milhões, quando foi detectado o comprometimento de toda a estrutura de cobertura. Após uma ação do Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou sobrepreço, o valor baixou para R$ 859 milhões.

Até o início do mês, as obras de reforma do complexo esportivo consumiram R$ 328,3 milhões. O ritmo de liberação das verbas está acelerado. No ano passado, o governo do Estado reservou R$ 144,5 milhões no orçamento para o consórcio. Nos primeiros quatro meses deste ano, os empenhos de recursos para a reforma do estádio já somam R$ 161,7 milhões.

Irreversível. A saída da Delta é considerada irreversível. A empresa, responsável por diversas obras civis de porte no Rio, teria situado o Maracanã em último lugar na sua lista de prioridades. Como previu o próprio Cavendish, em entrevista à Folha de S. Paulo, o crédito bancário rareou.

A Delta havia abandonado também a obra do estádio Engenhão. Depois de vencer a licitação, em 2003, por valor questionado pelo mercado, a construtora deixou o empreendimento alegando não dominar a tecnologia necessária para a colocação da cobertura. O estádio, que teve orçamento inicial de R$ 60 milhões, foi construído por um montante mais de seis vezes superior (R$ 380 milhões). Foi inaugurado em 2007, nos Jogos Pan-Americanos. A conclusão da obra ficou a cargo da Odebrecht e da OAS.

Entre outras obras importantes no Rio, a empresa também é responsável pela ampla reforma na sede do Tribunal de Justiça, que consumiu R$ 154,1 milhões nos últimos três anos. Também integra o consórcio que constrói o Arco Rodoviário Metropolitano, cujo orçamento inicial era de R$ 536 milhões e que está agora em R$ 1 bilhão.

O governo do Estado informou que só se pronunciará sobre o caso depois da confirmação oficial da saída da Delta do projeto do Maracanã. Procurados, o Consórcio Maracanã e a construtora não se manifestaram sobre o assunto.

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