Delta deixa mais uma grande obra no Rio

Agora foi a Transcarioca, orçada em R$ 1,5 bilhão; outros dois contratos devem ser desfeitos em razão das denúncias de envolvimento com Carlinhos Cachoeira

Alfredo Junqueira, de O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h05

RIO - Após deixar o consórcio responsável pela reforma do Maracanã (orçada em R$ 859 milhões), a Delta Construções abandonou outra grande obra no Rio de Janeiro. Ontem a Prefeitura anunciou que a empreiteira também se retirou do consórcio para a construção da Transcarioca - corredor exclusivo de ônibus articulados que vai ligar o Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão à Barra da Tijuca.

Com custo estimado em R$ 1,5 bilhão, a Transcarioca é uma das principais obras estruturais em andamento na cidade para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. São 39 quilômetros de via para os chamados BRTs (Bus Rapid Transit), com 45 estações.

Em nota, a assessoria de imprensa do prefeito Eduardo Paes (PMDB) afirmou que a empresa Andrade Gutierrez assumirá a responsabilidade pelas obras e que o cronograma não será alterado. A informação foi confirmada por nota da assessoria de imprensa da Andrade Gutierrez.

Este é mais um revés da construtora, que mais recebeu recursos do governo federal para realizar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nos últimos três anos - R$ 2,4 bilhões somente entre 2009 e 2011.

Desde que a Operação Monte Carlo da Polícia Federal revelou as relações entre Carlinhos Cachoeira e o então diretor da empresa para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu, em fevereiro, a Delta perdeu acesso a crédito, começou a ter contratos auditados por vários órgãos de fiscalização e deverá ser um dos principais alvos da CPI do Cachoeira.

O consórcio que a Delta integrava na construção da Transcarioca é responsável pelo trecho de 26 quilômetros que liga os bairros da Penha à Barra, orçado em R$ 798 milhões. A participação da empreiteira era de 42% (R$ 319,37 milhões). A Delta ainda mantém três contratos para obras com a Prefeitura do Rio, e outro para aluguel de caminhões de lixo com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb). Nos últimos dez anos, a empresa recebeu R$ 450 milhões dos cofres municipais.

Fora de cena. Além do Maracanã e da Transcarioca, a expectativa é que a empresa também anuncie sua saída de outras obras importantes no Estado, como a construção do Arco Rodoviário Metropolitano (R$ 1,17 bilhão). A Delta deve abandonar sua pequena participação na construção do Complexo Petroquímico do Rio (R$ 36 bilhões). A empreiteira participa de 2 dos 24 consórcios responsáveis pela obra.

O que parece inalterado e sem problemas é a contratação da empresa para complexa reforma dos prédios do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). A empresa já recebeu R$ 154 milhões para a obra e o TJ-RJ não pretende auditar os contratos, informou a assessoria de imprensa.

A Delta não se havia manifestado sobre a saída do consórcio até o fechamento desta edição. As suspeitas de irregularidades e investigações ainda provocaram sérias instabilidades na empresa. O dono da Delta, Fernando Cavendish, afastou-se anteontem da presidência do conselho. Número dois no comando, o executivo Carlos Pacheco também saiu. Os dois foram mencionados em vários contatos telefônicos entre Cachoeira e Abreu. O novo presidente da Delta, o engenheiro Carlos Alberto Verdini, já foi ao Congresso entregar documentos para a CPI do Cachoeira.

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