Delegados confirmam ligação de Demóstenes com contraventor

Em depoimento ontem no Conselho de Ética, policiais reafirmaram que senador era próximo de Carlinhos Cachoeira

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2012 | 03h07

O depoimento dos delegados Raul Alexandre Marques e Matheus Mella Rodrigues, ambos da Polícia Federal, ontem, no Conselho de Ética do Senado, reforçou a relação próxima entre o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

"Eles reafirmaram o que disseram na CPI, de que a relação entre o senador Demóstenes e Cachoeira era mais do que pessoal", disse o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do processo de cassação de Demóstenes no conselho.

O advogado de defesa de Demóstenes, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que vai tentar anular as provas produzidas pelas Operações Vegas e Monte Carlo, da PF, contra o senador.

Ele alega que a polícia não poderia ter investigado Demóstenes sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). "Vou mostrar aos senadores que um senador da República foi investigado durante meses, de forma ilegal", disse Kakay.

Os senadores que participaram da sessão do Conselho de Ética saíram convencidos de que Demóstenes era próximo e participava do esquema ilegal de Cachoeira. "Ficou clara a ligação de Demóstenes com Cachoeira", afirmou Ciro Nogueira (PP-PI). Os parlamentares também estão convencidos de que Demóstenes usou seu mandato de senador para tentar beneficiar negócios de Cachoeira.

Rede. Durante o depoimento no Conselho do Senado, os delegados da PF confirmaram a existência de 416 ligações entre Cachoeira e Demóstenes e a citação do nome do senador por outras pessoas investigadas no esquema do contraventor em 293 interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal.

Segundo Kakay, os depoimentos dos delegados responsáveis pelas Operações Vegas e Monte Carlo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, no último dia 8, comprovam que houve uma manobra para investigar o senador de forma camuflada.

"Os depoimentos dos delegados deixaram claro que desde 2009 havia uma investigação ferrenha, fechada, contra o senador Demóstenes. O que eu tenho dito na minha reclamação no Supremo Tribunal Federal foi comprovado aqui. Está comprovada uma burla clara, eu diria quase criminosa, à Constituição da República", afirmou o advogado.

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