Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Delegado diz que Gurgel não apurou Vegas

Na CPI, Marques afirma que operação da PF ficou inconclusa; base quer convocar procurador-geral

EUGÊNIA LOPES, ALANA RIZZO, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2012 | 03h03

Na primeira sessão secreta da CPI do Cachoeira, o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques disse ontem aos parlamentares que a Operação Vegas, com indícios de crimes praticados por três parlamentares, ficou inconclusa, pois o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não deu prosseguimento às investigações.

A base do governo no Congresso pretende usar o depoimento do delegado para convocar Gurgel a prestar esclarecimentos à CPI sobre sua atuação no inquérito. Para líderes do PT e de partidos aliados, o argumento é de que há indícios de prevaricação por parte do procurador-geral.

O inquérito foi remetido ao procurador em 15 de setembro de 2009. A subprocuradora da República, Cláudia Sampaio, foi designada para analisá-lo e, no mês seguinte, informou ao delegado não ter encontrado elementos jurídicos que fundamentassem um pedido de investigação ao Supremo. "A partir disso, não podia fazer mais nada", teria dito o policial à CPI.

Um dos argumentos do governo pela convocação do procurador é que, embora não tenha encontrado indícios em 2009, Gurgel usou este ano, na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal, após a Operação Monte Carlo, várias peças do inquérito da Vegas.

"A subprocuradora, em nome do procurador, disse que não tinha elementos que indicassem crime e (o caso) ficou parado até hoje. Foi preciso uma nova operação para a sociedade conhecer essa organização criminosa. Ele (Gurgel) precisa explicar por que não fez nada. Se não tem crime, ele tinha que ter arquivado ou pedido à Justiça novas diligências", cobrou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). A convocação será discutida nos próximos dias por líderes governistas.

O delegado afirmou que o inquérito contém elementos suficientes para incriminar o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido) e os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO). Segundo relatos de senadores e deputados, os áudios confirmam o braço político da organização criminosa comandada por Carlinhos Cachoeira.

As informações levadas por Marques deixaram claro, conforme integrantes da CPI, que Demóstenes não era um mero beneficiário de favores e dinheiro da quadrilha, mas integrante ativo da organização do contraventor.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse que a oitiva oficializou as convicções da comissão sobre o envolvimento dos três parlamentares sobre Cachoeira. "Demóstenes atuava como agente da organização. Não vejo a menor possibilidade de ele se manter aqui", afirmou, no início da noite de ontem.

Tudo o que sabemos sobre:
CPI do CachoeiraRoberto Gurgel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.