Delegado desiste de falar a comissão paulistana

Em São Paulo, o delegado de polícia Dirceu Gravina, apontado por ex-presos políticos como autor de torturas nos anos da ditadura, recuou e decidiu na última hora não comparecer perante a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog para prestar depoimento. Gravina havia aceito um convite dos vereadores para falar sobre sua atuação no Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), entre 1971 e 1972, e chegou a ir à sede da Câmara no horário acertado, no final da manhã. Repentinamente, porém, após constatar que a sessão seria aberta e com a presença de jornalistas, voltou atrás.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2014 | 02h05

O presidente da comissão, Gilberto Natalini (PV), e outros dois vereadores tentaram, numa conversa na rua, convencê-lo a retornar à Câmara, sem sucesso. Segundo Natalini, o delegado teria dito que se confundiu quanto ao convite, achando que era uma convocação. Também disse que pode falar aos vereadores em outra ocasião, desde que seja em sessão fechada.

A Comissão Municipal vai recorrer agora à Comissão Nacional da Verdade, que tem poderes para convocar oficialmente o delegado. Os vereadores também vão enviar pedido ao governador Geraldo Alckmin (PSDB)para que destitua o delegado do cargo que ocupa no Departamento de Polícia Judiciária do Interior 8 (Deinter 8), em Presidente Prudente. "Não é possível que uma pessoa sobre a qual pesam tantas acusações de torturas continue ocupando um cargo público, numa delegacia de polícia."

Integrante dos quadros da polícia civil do Estado, Gravina atuou no DOI-Codi, instituição do Exército voltada para a repressão política. Vários ex-presos político que passaram pela instituição o apontam como autor de torturas. Por usar cabelo comprido e uma corrente com crucifixo, era conhecido pelo codinome JC, de Jesus Cristo.

Ontem, pouco antes do horário previsto para o depoimento do delegado, a socióloga e ex-presa política Lenira Machado descreveu à comissão torturas que teria sofrido de Gravina.

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