Defesas negam verba pública no esquema

Advogados de ex-deputado e presidente do PP insistem em tese de crime eleitoral e defensor de ex-diretor do BB diz que dinheiro do Visanet era privado

FELIPE RECONDO, MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h08

Duas das principais acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República contra os réus do mensalão foram contestadas ontem por advogados de defesa: a afirmação de que o esquema se valeu de dinheiro público e a acusação de que o PT comprou os votos de parlamentares para aprovar projetos de seu interesse.

O ex-deputado Pedro Corrêa e o deputado Pedro Henry - líder do PP na época dos repasses - recorreram ontem à tese do caixa 2 de campanha para explicar o dinheiro que recebiam do PT por meio do empresário Marcos Valério em troca de votos. Ambos são acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que, segundo a denúncia, teria alimentado o esquema com recursos públicos, afirmou que o dinheiro do fundo Visanet era privado e negou ter recebido R$ 326 mil para favorecer as empresas de Marcos Valério. Ele é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de peculato.

Na sessão de ontem, a defesa do presidente do PP afirmou que o dinheiro repassado pelo PT por intermédio de Valério à legenda - R$ 2,9 milhões, conforme o MP - foi gasto nas campanhas eleitorais. Pedro Henry alegou que não sabia que o partido estava recebendo recursos.

De acordo com a acusação, o dinheiro era repassado pelo PT, lavado pelas empresas Bônus Banval e Natimar e serviria para comprar o apoio do partido. O MP citou como principais exemplos as votações das reformas da Previdência e Tributária e para a aprovação da Lei de Falências. Corrêa alegou que não esteve nem sequer presente nas sessões da Câmara em que foram aprovadas a Reforma Tributária e a nova Lei de Falências.

"Todas, absolutamente todas, as testemunhas citadas pelo Ministério Público e arroladas pela defesa afirmaram que o dinheiro da Bônus Banval, repassados pela Natimar, não foram, em absoluto, para a compra de apoio de parlamentares. Eles foram para a campanha política de 2004 em decorrência de um acordo firmado entre o Partido dos Trabalhadores e Partido Progressista", afirmou o advogado Marcelo Leal, que representa o presidente do PP no processo do mensalão.

Privados. Na defesa de Pizzolato, seu advogado, Marthius Sávio Cavalcante, afirmou que os recursos do fundo Visanet são privados e negou que seu cliente tivesse poderes para antecipar o pagamento de R$ 73 milhões desse fundo para as empresas de Valério.

"Não há nenhum dirigente no Banco do Brasil que possa tomar decisões isoladas individuais", afirmou. Ao contrário da defesa, o MP alegou que esse dinheiro teria origem pública.

Pacote. Relator da ação do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa perguntou ao advogado de onde saía o dinheiro para o fundo e quem determinava a transferência de recursos para as agências de publicidade de Valério.

Cavalcante afirmou que um porcentual de cada compra feita com um cartão do banco de bandeira Visa é repassado para o fundo, usado para estimular o uso dos cartões de crédito e débito.

Como pagamento pela antecipação desses recursos, Pizzolato teria recebido R$ 326 mil de Valério em um pacote, conforme a acusação formal da Procuradoria-Geral da República.

O advogado do ex-diretor de marketing do BB disse que Pizzolato não sabia que o pacote estava recheado com dinheiro e disse que ele pegou a encomenda a pedido de Valério e o repassou - sem abri-lo - para o PT.

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