Defesas de ex-sócios jogam culpa em Valério

Advogados tentam minimizar importância de seus clientes em agências de empresário

EDUARDO BRESCIANI , RICARDO BRITO , MARIANGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2012 | 03h06

Marcos Valério foi o culpado de tudo, disseram ontem aos ministros do Supremo Tribunal Federal os defensores de ex-sócios e ex-funcionários do empresário mineiro apontado pela Procuradoria-Geral da República como o "operador" do mensalão.

Os advogados chegaram a comparar a denúncia da Procuradoria-Geral a um "roteiro de novela das oito" e tentaram desqualificar a importância dos próprios clientes para mostrar que eles não teriam como atuar na "sofisticada organização criminosa", conforme a denúncia formal.

O advogado de Cristiano Paz foi o primeiro a repassar a culpa. O ex-sócio de Valério cuja assinatura está em cheques do esquema, sustentou, por seu advogado que atuava apenas na área de criação publicitária. "As atividades de Cristiano não se mesclavam porque eram inteiramente lícitas", disse o defensor Castellar Modesto Guimarães.

O advogado de Rogério Tolentino, amigo de Valério também citado na denúncia, foi na mesma linha. Paulo Sérgio Abreu e Silva disse que seu cliente era advogado da agência, não tendo sociedade com o empresário. E que o empréstimo de R$ 10 milhões no BMG a pedido de Valério foi lastreado por garantia dada pela SMPB, agência de Valério, e não coube a Tolentino a destinação dos recursos. A defesa diz que Tolentino repassou a Valério os recursos, tendo até assinado cheques em branco. Segundo o Ministério Público, o dinheiro foi para a conta de uma empresa, que fez repasse a três deputados do PP.

Novela. A novela Avenida Brasil, da TV Globo, foi parar no julgamento. O advogado Leonardo Isaac Yarochewsky, que defende a ex-diretora financeira da SMPB Simone Vasconcelos, usou o exemplo da personagem Carminha para sustentar que há um processo de banalização das denúncias do MP por formação de quadrilha. "Até na novela das oito a Carminha disse que ia processar a Rita por formação de quadrilha", disse. Simone é acusada de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas. Yarochewsky e o defensor da ex-funcionária e gerente financeira da SMPB Geiza Dias, Paulo Abreu e Silva, jogaram, enfim, a culpa no patrão. "O que o patrão faz com o dinheiro, ainda que seja jogar no lixo, não cabe ao funcionário questionar", disse Yarochewsky. "Geiza era funcionária mequetrefe, de terceiro ou quarto escalão", disse Abreu e Silva.

Já o advogado e ex-ministro da Justiça José Carlos Dias foi o responsável pela defesa da acionista do Banco Rural Kátia Rabello. Segundo ele, a instituição foi "vítima de sua própria transparência". Dias sustentou que foi graças aos cuidados do Rural que foi possível identificar sacadores de dinheiro. "Todos esses documentos que indicam quais são os recebedores estão absolutamente presentes. A direção do banco jamais permitira a ocultação."

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